Fórum de Cultura


 

 

Fórum de Cultura discute festivais mineiros

 

A tradição e os novos rumos dos festivais mineiros de cultura foram debatidos de 23 a 25 de agosto, às 14 horas, durante o Fórum de Cultura. Promovido pela PROEX/UFSJ, o evento reuniu artistas, produtores culturais e comunidade no anfiteatro da Biblioteca do Campus Santo Antônio, em São João del-Rei.

A abertura, dia 23, contou com roda de conversa sobre o futuro dos festivais organizados pelas universidades federais mineiras. No dia 24, gestores em políticas públicas do setor traçam o panorama das atuais leis de fomento à cultura e tratam sobre as alternativas de financiamento a projetos. O encerramento, dia 25, discutiu os desafios do suporte financeiro a ações culturais em Minas Gerais.


Quem esteve presente:

23/08, 14h: Festivais mineiros de cultura  - Tradição e novos rumos

  • Ida Berenice - Pró-Reitora de Extensão da UFOP e Coordenadora Geral do Festival de Inverno da UFOP
  • Leda Maria Martins - Diretora de Ação Cultural da UFMG e Diretora Geral do Festival de Inverno da UFMG.
  • Telma Resende - Diretora da Divisão de Projetos e Apoio à Comunidade Universitária da UFSJ e Coordenadora Adjunta do Inverno Cultural UFSJ

24/08, 14h:  Fomento a projetos culturais

  • Carlos Paiva - Gestor Cultural e ex-Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura

25/08,  14h - Desafios do financiamento cultural em MG

  • Felipe Amado - Superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais
  • César Piva - Diretor Presidente da Fábrica do Futuro e Diretor do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais

Local: Anfiteatro do Campus Santo Antônio (Pça. Frei Orlando, nº 170, Centro, São João del-Rei)

 


Próximos encontros do Fórum de Cultura:

13/9/2016 Conversa da PROEX com extensionistas da área de Teatro
  14/09/2016

Conversa da PROEX com extensionistas das áreas de Artes e Arquitetura

 15/09/2016 Conversa da PROEX com extensionistas da área de Música
16/09/2016  Conversa da PROEX com extensionistas da área de Jornalismo
19/09/2016  Conversa da PROEX com artistas, comunidade externa, coletivos culturais e produtores culturais locais.

 


Saiba como foi o primeiro dia de conversa do Fórum

Rever modelos, dialogar para o futuro: novas tendências para os festivais de inverno de Minas Gerais

 

O filósofo Sócrates já acreditava na força do diálogo há milhares de anos. Passados muitos séculos, esse pensamento continua atual. Pois é a partir dele que organizadores e artistas estão decidindo o futuro dos festivais culturais promovidos pelas universidades. Essa foi a tônica da abertura do Fórum de Cultura, realizado no Campus Santo Antônio no último dia 23 de agosto, que teve a presença da pró-reitora de extensão da UFOP, Ida Berenice; da diretora geral do festival de inverno da UFMG, Leda Martins, e da equipe de organização do Inverno Cultural UFSJ.

De um lado, a tradição e prestígio dos mineiros com os festivais, quer seja o Inverno Cultural UFSJ ou os festivais de inverno da UFOP e UFMG. De outro, o difícil momento econômico brasileiro e um modelo caro e esgotado de organizar eventos. Nas palavras de Leda Martins, existe um “excesso de festivais muito parecidos, nas mesmas datas e locais e com modelo próximo aos privados, seguindo a lógica comercial”.

Leda afirmou também que os festivais não podem ser dependentes do fomento das empresas privadas, que interferem na escolha das apresentações e são sazonais: em tempos de crise, como o atual, não há incentivo e a realização do festival fica prejudicado, como ocorreu com os festivais da UFOP e UFSJ.

Em Ouro Preto, o último festival foi reduzido, para se adequar ao orçamento. Segundo Ida Berenice, pró-reitora da universidade local, a arrecadação foi de apenas R$ 20 mil. A proposta para o futuro é “dialogar até o fim” com os artistas e prefeituras locais em busca de parcerias, além da participação da comunidade acadêmica e utilização de equipamentos já disponíveis. A Universidade Federal de Ouro Preto considera até repassar a organização para outras instituições. “A partir de reuniões em setembro, não sei qual será o destino disso. A posição da Reitoria é buscar o máximo de diálogo possível para achar um novo formato”, afirmou Ida.

Por fim, Leda reafirmou a importância das artes no contexto acadêmico. “São essenciais para a formação do aluno em qualquer lugar e qualquer área. A cultura faz parte do acadêmico”. E é por meio do diálogo com as comunidades locais, buscando novos formatos e superando desafios, que os organizadores dos festivais encontram formas para manter viva a tradição dos festivais culturais de inverno em Minas Gerais.

Confira aqui a matéria da TV UFSJ sobre o Fórum de Cultura 

 

Fonte: ASCOM. 

Data de publicação: 24/08/2016


Saiba como foi o segundo dia do Fórum

Lei Rouanet e Procultura

 

O segundo dia do Fórum de Cultura traçou um panorama sobre a principal forma de financiamento a projetos culturais, a Lei Rouanet, e o Procultura, projeto de lei em tramitação no Congresso desde 2010, o qual procura aperfeiçoar o sistema de fomento nacional.  A conversa ocorreu na tarde de 24 de agosto e foi comandada pelo ex-secretário de Financiamento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Carlos Paiva, no anfiteatro do Campus Santo Antônio.

Paiva esclareceu que o atual sistema de financiamento não responde de forma plena à complexidade da cultura, em que o público tem pouca participação na dinâmica dos projetos e do fomento. Para o gestor, os mecanismos não estimulam o empreendedorismo e não aproveitam a articulação federativa.

A Lei Rouanet é vista, pelo ex-secretário, como um marco legal ultrapassado. Paiva explicou que a lei foi concebida em um tripé ideal formado pelo Fundo Nacional de Cultura (FNC), Fundo de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) e pela renúncia fiscal, os quais não funcionam integralmente. Sobre o FNC, ele considera como um mecanismo frágil, pouco versátil e sem garantias orçamentárias, refletindo em uma imprevisibilidade de fomento ano a ano. Já o Ficart não foi concretizado. Por sua vez, o incentivo fiscal tornou-se concentrador, sem vinculação com políticas públicas e sem a adesão maciça do empresariado. Assim, 95,61% dos recursos são de renúncia fiscal, ou seja, governamentais.Para além dessa organização, a lei ainda apresenta, na prática, uma concentração de recursos (94%) vinculados ao artigo 18 (o qual prevê 100% de abatimento do imposto). Nesse cenário, as empresas não colocam recursos próprios para o fomento à cultura.

Ao longo de um ano, passam pelo crivo de análise do MinC cerca de 9 mil projetos, dos quais 6 mil são aprovados e apenas 3 mil conseguem captação para serem realizados. Na distribuição dos recursos de captação, Paiva esclareceu a alta concentração regional no eixo das capitais de Rio e São Paulo. Em dados estatísticos, 79,2% para o Sudeste (onde Minas Gerais tem participação de 9% e Espírito Santo 1%), seguido pelo Sul (13,15%), Nordeste (4,58%), Centro-Oeste (2,3%) e Norte (0,6%).

Na tentativa de reverter esse quadro traçado no funcionamento da Lei Rouanet, o MinC elaborou a proposta do ProCultura, o qual propõe que o FNC tenha uma garantia mínima de recursos anual, em que o empresariado contribua com 20% da cota com recursos próprios e 80% de renúncia fiscal do governo. Paiva apresentou a proposta original elaborada pelo MinC e como o texto passou a ser considerado após alterações do Congresso.

Questionado sobre a realidade de projetos culturais do interior que não conseguem a captação, Paiva sugeriu diversificar as fontes de fomento, inaugurando frentes de captação com pessoas físicas, a busca por emendas parlamentares, bem como a criação de fundos patrimoniais que reservem 2% de recursos anuais para o futuro, o chamado “endowment”.

 

Veja a conversa na íntegra abaixo:



Desafios para desenvolver a cultura local

 

No último dia 25 de agosto, o Fórum de Cultura encerrou a primeira edição com uma roda de conversa sobre os desafios de fomento à produção cultural em Minas Gerais. Os mediadores do bate-papo foram: o superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, Felipe Amado, e o diretor presidente da Fábrica do Futuro e diretor do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, César Piva.

Amado explicou os mecanismos de financiamento à cultura em Minas e mostrou os dados sobre a concentração de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LEIC), a qual funciona por meio de renúncia fiscal via patrocínio com parte do INSS de empresas. No ano passado, dos R$84,35 milhões de renúncia fiscal, 73,07% foram para a região Metropolitana e 4,8% para as Vertentes. Segundo Amado, há um interesse maior de patrocinadores em expor as marcas na capital e também "um volume baixo de propostas apresentadas fora do Centro de Minas".

O superintendente informou sobre as discussões que ocorreram dentro do Plano Estadual de Cultura. Dentre elas, está a necessidade de alterar a legislação do setor para o fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura, a descentralização dos recursos para mais partes do Estado.

 

“De pedinte a ofertante de cultura e conhecimento”

César Piva mostrou a história de 15 anos para a estruturação do Polo Audiovisual da Zona da Mata. A rede de cooperação nasceu para promover a educação de jovens dentro do setor audiovisual e foi liderada pela sociedade civil, em parceria com o terceiro setor, universidade, empresas e governos. O grupo construiu um projeto cultural de longo prazo dentro da economia criativa e procurou estruturar políticas públicas para o desenvolvimento da região.

O Polo possui linhas de atuação para a gestão do conhecimento, formada por um estúdio escola e uma rede de cineclubes, e de criatividade, incentivando a produção anual e regional, de modo a construir um núcleo de profissionais e serviços em torno da gravação de filmes e curtas-metragens. Atualmente, vida editais, a cidade grava 12 longas e 60 curtas por ano.

Conforme Piva, o Polo cresceu por fases: a primeira focou na formação de pessoal para o audiovisual; posteriormente, os projetos foram estruturados para leis de incentivo; por fim, a linha de capacitação de empreendedores. Apesar desse percurso histórico, o gestor cultural afirma que só agora a infraestrutura começou a chegar. Em paralelo, foram criados um Consórcio entre as prefeituras para o sustento de parte do Polo e uma agência de desenvolvimento, ambos alinhados com permanentes fóruns de discussão.

O fomento do Polo ocorre dentro de um modelo que procura dar viabilidade às ações para além do tradicional prazo de um ano dos editais de incentivo à cultura. Piva esclarece que são firmadas parcerias trienais com empresas e indústrias localizadas na cidade, alinhando o desenvolvimento da cultura com o plano de negócios dos patrocinadores. Os projetos são debatidos e aprovados com as empresas antes mesmo da submissão às leis de incentivo.

 

Desenvolvimento da cultura local no longo prazo

Piva acredita que os rumos para a preservação das artes e culturas locais estão dentro de três questões básicas: Quem mobiliza? Qual é a “identidade”? Para quem? Para o gestor, os modelos de governança da cultura precisam ser construídos pela sociedade civil dentro de projetos de longo prazo e com frentes claras de ação. O primeiro passo, conforme o gestor, é juntar as lideranças para se transformar a cultural em uma causa social. O foco, segundo ele, está em pensar o futuro da cidade em torno da economia da cultura. 

 

Veja a conversa na íntegra abaixo:



Mais informações:

PROEX/UFSJ

(32) 3379-2510

forumdecultura.ufsj@gmail.com