Comissão retoma trabalhos para criação de políticas de enfrentamento às violências e mediação de conflitos na UFSJ
Publicada em 01/09/2025
A UFSJ já tem uma comissão institucional que ficará responsável pela elaboração de propostas para a Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e a Outras Violências e da Política de Mediação de Conflitos. A portaria que nomeia os membros da comissão foi assinada essa semana pelo reitor Marcelo Andrade. É constituída por representantes de todos os campi da UFSJ, com a participação majoritária de mulheres.
Os trabalhos estão organizados em quatro etapas: (1) nomeação formal dos membros; (2) elaboração de um anteprojeto de resolução, a partir da divisão em grupos de trabalho temáticos (acolhimento, prevenção e enfrentamento, tratamento de denúncias); (3) consultas públicas à comunidade universitária; e (4) submissão da proposta ao Conselho Universitário (CONSU).
A comissão atual dará continuidade a trabalhos anteriormente desenvolvidos. De um lado, retoma os esforços do grupo responsável pela elaboração da Política de Mediação de Conflitos, formado em setembro de 2024, e, de outro, prossegue com as discussões conduzidas pela Pró-Reitoria de Ensino (PROEN), que coordenava a proposição da Política de Enfrentamento e Combate aos Assédios e Demais Violências.
“Idas e Vindas”: início da caminhada
O Programa de Extensão “Idas e Vindas”, da UFSJ, terá papel importante no processo de construção dessas políticas, pois, desde 2019, trabalha mapeando redes e caminhos para o combate à violência contra a mulher em São João del-Rei e, há mais de um ano, expandiu sua atuação para pensar as formas de violência na universidade. O projeto é composto por docentes e discentes dos cursos de Psicologia e Medicina, que procuram combater a violência por meio de formações, recepções de calouros, rodas de conversa e escuta acolhedora.
Segundo Cássia Beatriz, docente do Departamento de Psicologia e coordenadora do programa há quase sete anos, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROEN) convidou o “Idas e Vindas”, junto ao Projeto Lilaz, para atuar no acolhimento de mulheres na universidade. “A conversa sobre a necessidade de uma política institucional de enfrentamento aos assédios e violências foi tomando forma e a comissão começou aí”, ressalta Cássia.
O “Idas e Vindas” tem realizado eventos, minicursos, cartilhas e publicações sobre a temática, além de ter desenvolvido um formulário anônimo de notificação de violências na UFSJ. Cássia destaca que a parceria com o Grupo de Estudos Narrativas e Cuidado da UFSJ (Grená) tem sido importante para o desenvolvimento do trabalho. Ela também ressalta que “todo esse processo de estudos, cuidado e intervenções agrega à nova comissão”.
Apoio da comunidade
A iniciativa da comissão tem recebido significativo apoio da comunidade universitária. A técnica-administrativa Tatiana Carla Magalhães Lima, do Setor de Contabilidade da UFSJ e integrante da comissão, destaca a importância da iniciativa: “As pessoas sentem falta de um apoio em questões relacionadas ao enfrentamento ao assédio e outras violências dentro da instituição. A universidade é parte da sociedade e, portanto, funciona como um espelho. É necessário mudar essa cultura para mudar o dia a dia, para assim conceber um ambiente mais pacífico, acolhedor e consciente”, afirma.
A discente Amanda Vargas, presidente do Centro Acadêmico de Psicologia da UFSJ, enfatiza a relevância da participação estudantil nessa construção coletiva: “Nós somos a maior parte da comunidade acadêmica e também estamos entre os grupos mais vulneráveis a situações de violência, assédio e discriminação. Por isso, a nossa participação aqui não é, nem pode ser apenas representativa, mas também propositiva. Trazemos experiências concretas, olhares críticos e a força da organização coletiva que o movimento estudantil historicamente constrói.”
Perspectivas
A expectativa é que, após a tramitação no CONSU, a comissão seja transformada em instância permanente da universidade, garantindo a continuidade do trabalho de prevenção, enfrentamento e mediação, contribuindo para consolidar a UFSJ como um espaço cada vez mais seguro, democrático e acolhedor.