Pesquisadora da UFSJ leva Prêmio Para mulheres na ciência

Tratamento para Zika e doença de Chagas, estrutura de novos nanomateriais, formação do cérebro e cuidado parental são algumas das pesquisas desenvolvidas pelas sete vencedoras da 12ª edição do programa "Para Mulheres na Ciência", uma parceria L’Oréal, Unesco e ABC. Com suas pesquisas, as cientistas, entre elas Fernanda Maria Policarpo Tonelli, bioquímica formada pela UFSJ e pós-doutoranda pela UFMG, levantam importantes questões que refletem o empenho das pesquisadoras e o desenvolvimento nas áreas de Física, Matemática, Química e Ciências da Vida.

Fernanda foi reconhecida na área Ciências da Vida por sua pesquisa utilizando tilápias-do-Nilo como biofábricas para a produção de substâncias como o hormônio do crescimento humano. A inovação, que pode economizar milhões de reais por ano ao sistema público de saúde, começou a se desenvolver ainda na graduação por meio de uma iniciação científica.

“O curso de Bioquímica me ofereceu uma base sólida de conhecimentos em uma ampla gama de áreas permitindo atuar em áreas de interface como nanotecnologia. As aulas práticas foram muito importantes, principalmente as de biologia molecular”, reconhece Fernanda. A pesquisadora explica que, em seu trabalho, o objetivo era “desenvolver metodologia para conversão de tilápias em biofábricas de proteína de interesse. O sistema que estamos desenvolvendo visa redução de custo no processo de purificação das proteínas, por meio de liberação na urina de tilápia (que por si é um fluido que já contém baixo teor de outras proteínas). Assim sendo, o cidadão comum poderia ainda se beneficiar de mais amplo e rápido fornecimento do produto final, uma vez que a produção seria realizada em território nacional, e menor preço do mesmo nas drogarias.”

As ganhadoras foram escolhidas por um júri acadêmico formado por importantes nomes da Academia Brasileira de Ciências. Elas foram avaliadas pelo potencial das pesquisas e pela trajetória que já desenvolveram em suas áreas de atuação. A premiação consiste em bolsa-auxílio de R$ 50 mil para fundamentar e dar continuidade às pesquisas.

Para Fernanda, o reconhecimento do potencial dessas mulheres reforça a ascensão feminina na área. “Prêmios como esse são extremamente importantes por valorizarem a participação feminina, tantas vezes desprezada ou subestimada pela sociedade em geral, não apenas no meio científico. É uma forma de reforçar a capacidade intelectual feminina e incentivar a participação da mulher na ciência. Para mim, em especial, o prêmio representa o reconhecimento de meu trabalho e do trabalho de toda a equipe com que tive a honra de trabalhar e continuar trabalhando.”

Saiba mais sobre o prêmio, que já reconheceu mais de 70 cientistas brasileiras desde 2006: www.paramulheresnaciencia.com.br/conheca-as-sete-cientistas-vencedoras-do-premio-para-mulheres-na-ciencia/

Na UFSJ

Ao ingressar no curso de Bioquímica da Universidade Federal de São João del-Rei, ofertado no Campus Centro-Oeste Dona Lindu (CCO), em Divinópolis, Fernanda já desejava se dedicar ao estudo do DNA. Dentro da instituição, a aluna se envolveu em atividades de pesquisa desde o início. Com o professor João Máximo de Siqueira, ajudou a identificar elementos presentes em plantas que pudessem ser utilizados como herbicidas naturais. O resultado do empenho de Fernanda veio por meio da primeira publicação de um artigo na revista Allelopathy Journal, especializada em Ciência, ainda durante a graduação.

Hoje, a jovem cientista cursa pós-doutorado na UFMG. Seu principal objeto de estudo é a tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus), peixe com grande potencial para estudos de biotecnologia.


Publicada em 08/08/2017
Fonte: ASCOM

 Voltar