Pesquisa aborda abandono de animais e a relação das pessoas com os cães de rua em São João del-Rei

O programa de extensão “Amigo de Quatro Patas” da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) está pesquisando dados em dez bairros de São João del-Rei. O objetivo é levantar informações sobre como os proprietários exercem a guarda dos seus animais e também a relação das pessoas com os cachorros de rua.

A ideia da pesquisa surgiu da leitura de artigos científicos e acadêmicos que tratam da dinâmica populacional dos cães não domiciliados e estratégias para lidar com a superpopulação. O levantamento é realizado com base no estudo “Práticas de guarda responsável de cães em São João del-Rei-MG”, da UFSJ, sob coordenação da professora Leila de Genova Gaya, do Departamento de Zootecnia.

Leila explica que a prática que o grupo desenvolve, já em seu oitavo ano, foi fundamental para a concepção desse estudo. “Queríamos mais argumentos para prosseguir, e me chamou a atenção um material que li, em que o autor trouxe dados sobre a pequena taxa de sobrevida de ninhadas que nascem nas ruas (acidentes, doenças, fome) e que não são resgatadas”. Essa reduzida sobrevivência desses animais indica, segundo a professora, que não há propriamente uma "superproliferação" de cães nas ruas, mas sim um "superabandono" de ninhadas e adultos que nasceram em casas.

“O foco nos animais errantes é uma questão de humanidade, porém, cientificamente, se eles não são a principal causa do problema da superpopulação, então precisamos encontrar formas de nossas campanhas (esterilização, não abandono, guarda responsável) atingirem os cães domiciliados - mais precisamente, os responsáveis por esses cães”, complementa.

O Programa tem realizado a pesquisa nos bairros Bonfim, Matosinhos, Nossa Senhora de Fátima, Tijuco, Colônia, Araçá, Dom Bosco, Vila Marchetti, Guarda Mor e Vila Santa Terezinha. O questionário é um estudo científico dividido em duas partes, presencial e on-line e aborda questões de saúde pública. Tenta relacionar, com base em informações, faixas etárias, bairros e condições socioeconômicas, a realidade do cenário atual da cidade. Além disso, a partir da fundamentação das questões abordadas, auxilia o Programa Amigo de Quatro Patas a desenvolver ações futuras e a criar novas propostas.

Resultados

A intenção é, assim que finalizarem a pesquisa, reavaliar o programa e divulgar para a Secretaria de Saúde e a sociedade. “Queremos entender melhor esse cenário aqui na cidade, além de conhecer como as pessoas lidam com as questões relacionadas à guarda responsável e à saúde única [antiga saúde pública]”, esclarece Leila, acrescentando que não há informação disponível, nesse sentido, sobre São João del-Rei.

Um dos resultados parciais mais preocupantes é o baixo número de entrevistados que conhecem a leishmaniose, independentemente do bairro em que residem ou classe social. “Esse é um grave alerta, tanto para a Secretaria de Saúde quanto para o programa de extensão”, alerta a coordenadora.  

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Publicada em 09/02/2018
Fonte: ASCOM

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