Cartografia para toda a gente

Estudantes da UFSJ produzem maquetes adaptadas a pessoas cegas

Um recurso comum nos smartphones e demais dispositivos móveis é o de localização instantânea, que nos auxilia no deslocamento dentro das cidades ou em viagens interurbanas. O uso de aplicativos como Google Maps ou Uber é possível graças à cartografia, área do conhecimento dedicada ao levantamento, construção e edição de mapas e cartas topográficas. Devido à sua importância cotidiana, a cartografia deve ser acessível a toda a população, sem distinção de qualquer natureza.

Adaptar mapas e cartas topográficas para pessoas cegas ou com baixa visão é a função da cartografia tátil, que se ocupa do ensino da Geografia para cegos, assim como do desenvolvimento de metodologias para a docência. Essa é uma das áreas de atuação da professora Silvia Elena Ventorini, coordenadora do projeto Cartografia Tátil, e subchefe do Departamento de Geografia da UFSJ.

Sob sua orientação, e com a participação dos estudantes Gisa Fernanda Siega Rocha e Thiago Gonçalves Santos, o Cartografia Tátil celebrou parceria inédita com a Associação Fluminense de Amparo aos Cegos (Afac). O grupo se dedicou à elaboração e confecção de maquetes táteis do prédio da Associação, localizado em Niterói, com o objetivo de auxiliar na orientação e mobilidade das pessoas que frequentam o local.

Mãos à obra
“O sistema de comunicação instantânea que temos hoje facilitou muito nosso trabalho. Você não precisa estar no local para fazer a maquete”, explica Silvia Elena. Por causa da distância entre o interior de Minas e a Baixada Fluminense, foi preciso usar imagens de satélite e outros recursos tecnológicos. “Mas nada se compara ao real, e é por isso que ficamos alguns dias na instituição”, completa.

Apesar de o projeto ter sido concebido em São João del-Rei, antes da entrega algumas adaptações fizeram-se necessárias, para manter a maquete o mais fidedigna possível. Por exemplo: foi preciso refazer as calhas do telhado do prédio, não detectadas pelas imagens de satélite. Pode parecer irrelevante, mas não é: “O que é importante para o cego pode não ser importante para a pessoa que enxerga - e vice-versa”, afirma a coordenadora do projeto.

Lançando mão de placas de fibra de baixa densidade (popularmente conhecidas como MDF), cola, tinta e superbonder, os estudantes puderam confeccionar as três maquetes: uma para o prédio inteiro e outras duas para seus dois andares. Cada um dos andares foi reproduzido com os detalhes de mobília, construídos com material resistente e agradável ao toque.

Aprendizado ultrapassa sala de aula

Foi um trabalho coletivo. Gisa e Thiago foram escolhidos a dedo para contribuir com seus conhecimentos técnicos. Atualmente mestranda em Geografia pela UFSJ, Gisa já trabalhou com maquetes, mas dessa vez pôde participar de todas as etapas do projeto, desde a fase de medição. Satisfeita com o aprendizado adquirido, declara: “Não é apenas entregar o serviço, é pensar em como vai ser válido, em como vai ser proveitoso para o outro.”

Por outro lado, Thiago Gonçalves, bacharel em Geografia pela UFSJ, se viu diante de um mundo de novidades: “Eu nunca participei de nenhum trabalho assim, mas fui aprendendo. É muito gratificante ver que o trabalho terá uso e função para as pessoas, ver o professor que é cego testar a maquete e sua viabilidade.”

Iniciado durante o mês de julho, o projeto foi concluído e entregue durante o evento DosVox, realizado no período de 12 a 15 de outubro, na sede da Afac, pelo Instituto Tércio Pacitti, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 


Publicada em 06/11/2018
Fonte: ASCOM

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