Estudo sobre Doença de Chagas tem repercussão internacional

Um importante estudo sobre a doença de Chagas, realizado por um grupo de pesquisadores tendo como primeira autora a professora Clareci Cardoso, do curso de Medicina da UFSJ no Campus Centro-Oeste (CCO), foi publicado recentemente pela revista PLOS Neglected Tropical Diseases, periódico internacional sobre doenças tropicais. O estudo teve ampla repercussão pela mídia nacional e internacional, incluindo as agências Science, Medscape, a renomada Reuters, além dos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense.

A pesquisa investigou os efeitos do medicamento Benzonidazol, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a portadores da doença de Chagas. Acredita-se que cerca de 5,7 milhões de latino-americanos estão infectados pelo protozoário Trypanosoma Cruzi, que acomete os pacientes causando sérios problemas cardíacos, hepáticos e intestinais, além de morte precoce. As formas mais comuns de transmissão da doença se dão pelos insetos que inoculam o tripanozoma, como o “barbeiro”, pela ingestão de alimentos contaminados com fezes desses insetos e por transfusões de sangue. É consenso na literatura médica a prescrição do Benzonidazol na fase aguda da doença de Chagas, porém seu uso na fase crônica era bastante controverso.

Prognósticos
O grupo responsável pelo trabalho, denominado SAMI-TROP, reúne cerca de 15 pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP) e Universidades de Minas Gerais como a UNIMONTES, UFMG e UFSJ (Campus Centro-Oeste). Durante dois anos, eles observaram clinicamente 1813 pacientes, comparando a evolução clínica da doença de Chagas naqueles que relataram uso do Benzonidazol com aqueles que não utilizaram. “O nosso estudo concluiu que aqueles pacientes que utilizaram a medicação em uma fase crônica, porém não muito avançada da doença, apresentaram melhores resultados clínicos e menor mortalidade no seguimento de dois anos”, explica a Professora Clareci Cardoso.

A pesquisa é financiada com recursos do NIH (Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas do Instituto Norte-Americano de Saúde). No seguimento dos pacientes, os pesquisadores continuarão investigando a evolução da doença de Chagas e trabalhando na identificação de novas estratégias de cuidado.

Embargo de imprensa
Segundo a Professora Clareci Cardoso, o estudo trouxe resultados tão significativos que o editor da PLOS Neglected sugeriu que houvesse uma divulgação ampla do trabalho para a mídia: “A própria revista produziu um release do trabalho que foi divulgado estritamente para a imprensa, comunicando que o trabalho seria publicado no último dia 1º de novembro, às 15h (horário de Brasília). Assim, as agências de notícias poderiam se preparar para divulgar os resultados somente após a publicação do trabalho pela revista, num processo denominado Embargo de Imprensa. Quando o release do trabalho foi disponibilizado para a mídia, recebemos contato das várias agências de notícias que se preparavam para divulgar o trabalho”, completa a professora Clareci Cardoso.

O artigo pode ser acessado no seguinte link:

https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0006814 


Publicada em 07/11/2018
Fonte: ASCOM

 Voltar