Pesquisa do Degeo comprova benefícios do reflorestamento de matas ciliares da Bacia do Rio das Mortes

Estudo analisa processos ecossistêmicos nos sistemas hídricos

O monitoramento de processos em ecossistemas hídricos é tema de uma pesquisa da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Desenvolvido pelo professor Björn Gücker, do Departamento de Geociências (Degeo), o estudo busca analisar o funcionamento e a saúde ecossistêmicos, principalmente dos riachos e rios. O trabalho mostrou, por exemplo, que o reflorestamento das matas ciliares pode prevenir até um terço da perda de solo na Bacia do Rio das Mortes.

Em 2016 foi desenvolvido um trabalho que criou um modelo hidrológico da bacia do Rio das Mortes. Nessa ação, foi avaliado como o desmatamento da mata ciliar, que em muitas partes da bacia é um fenômeno expressivo, influencia no transporte de sedimentos através do rio.

A Bacia do Rio das Mortes, a principal do estudo, localiza-se na região de São João del-Rei e Barbacena, mas já foram desenvolvidas, também, modelagens em bacias hidrográficas maiores, como as do Tocantins e do Amazonas, no Laboratório de Limnologia Aplicada (LabLimno) do Degeo, onde o desenvolvimento da pesquisa é, em grande parte, realizado.

A Limnologia é uma área interdisciplinar, como esclarece Björn. De acordo com o professor, o campo atua na interface da Biologia, da Geografia e da Química, ou seja, a Biogeoquímica.

São trabalhadas questões que abordam as comunidades de organismos que vivem nesses sistemas aquáticos e suas atividades metabólicas, a hidroquímica (estudo da qualidade da água) e a geografia, no âmbito espacial e geomorfológico das paisagens onde os sistemas aquáticos se inserem. É nessa interface de disciplinas que a pesquisa se desenvolve.

A metodologia do estudo inclui trabalhos de campo, com medições in situ (no local) e coleta de amostras de água, sedimento e dos organismos para analisar em laboratório e determinar a situação ambiental nesses rios e riachos.

Em experimentos de campo, são pesquisadas as taxas de funcionamento dos sistemas hídricos. “Essas taxas são medidas de produção das plantas, respiração dos consumidores, a retenção e assimilação dos nutrientes. São esses processos que determinam o funcionamento desses sistemas, para entendermos e avaliarmos a saúde ecossistêmica e os serviços ecossistêmicos que esses sistemas fornecem”, conta o pesquisador.

Outro passo da pesquisa é trabalhar a modelagem hidrológica (análises espaciais e temporais do ciclo hidrológico), abordando aspectos de bacias hidrográficas. “A gente não quer só saber como um sistema aquático pequeno funciona, a gente quer saber como uma bacia hidrográfica, como um todo, trabalha e reage a mudanças”, relata Björn.

A pesquisa se estende também para as reverberações das ações humanas nestes ecossistemas hídricos. “São questões sobre como o uso do solo nas bacias hidrográficas, como a atividade agrícola, a piscicultura, a urbanização e o desmatamento de mata ciliar, por exemplo, afetam o funcionamento e a saúde dos riachos e lagos e, assim, os serviços ecossistêmicos que esses sistemas fornecem, e como a gente pode fazer um manejo sustentável”, explica o professor.

O estudo se encontra disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/eco.1726.

* Essa reportagem faz parte de uma iniciativa de divulgação científica da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Prope).


Publicada em 08/11/2018
Fonte: ASCOM

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