Pesquisa da UFSJ alia pecuária ao meio ambiente

O desenvolvimento e a transformação do sistema produtivo pecuário brasileiro, focado tanto na produção de leite e quanto na de carne pela bovinocultura, é tema de pesquisa conduzida pelo professor Rogério Martins Maurício, do Departamento de Engenharia de Biossistemas (Depeb) da UFSJ.

O professor alerta que o desmatamento e a produção de metano entérico (expelido pelos bovinos) são alguns dos fatores que contribuem para colocar o Brasil como um dos principais emissores de gases do efeito estufa. “O desmatamento por fogo é uma prática que nós já condenamos há muitos anos, mas que, infelizmente, por interesses econômicos, por falta de políticas e de controle, continua a ritmos alarmantes.”

Avaliando esse contexto, a pesquisa de Rogério se volta para a questão do desmatamento de um sistema complexo de flora de uma região, substituído por monocultura destinada à pecuária, geralmente a braquiária. “Nós saímos de uma floresta, com uma infinidade de espécies, de fauna e flora, para uma única espécie forrageira que invade nossas áreas.”

Esse sistema, segundo o professor, é produtivo num período de cinco a dez anos, em grande parte devido à matéria orgânica deixada pelo desmatamento, como as cinzas e os nutrientes que já haviam no solo. Após esse período, no entanto, o processo nessas áreas passa a ser degradante, até a terra se tornar improdutiva.

Dessa forma, o trabalho de Rogério se debruça justamente sobre a recomposição das áreas degradadas, levando em conta não apenas uma espécie, mas exemplares arbóreos. Esse sistema, conhecido como silvipastoril, integra a produção pecuária às florestas. A pesquisa tem auxílio de diversas instituições nacionais e internacionais, sendo tema de estudo há vários anos.

Essa visão da pecuária aliada ao meio ambiente é apoiada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), por meio da Agenda Global para Produção de Pecuária Sustentável (Global Agenda for Sustainable Livestock Production), da qual Rogério, representando a UFSJ, faz parte. “Fomos a primeira instituição brasileira a participar desse movimento”, explica.

Entre os resultados da pesquisa, está a descoberta de um fungo que parasita um inseto danoso à pecuária tradicional, a cigarrinha. Nos sistemas silvipastoris, as cigarrinhas morrem pela infecção desse fungo, uma vez que ele é um sistema completo e complexo, que permite o controle das populações. A pesquisa, então, visa isolar esse fungo, para que, ao ser depositado em um local de monocultura, sirva para balancear a população de cigarrinhas.

Além disso, podemos citar, entre outros, a pesquisa do sequestro de carbono pelos sistemas silvipastoris, que tende a ser maior do que as emissões, e também o monitoramento digital, em parceria com a Universidade da Espanha, para o manejo desses sistemas, feito por celulares.

 

Essa reportagem faz parte de uma iniciativa de divulgação científica da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Repórter: Lucas Almeida
 


Publicada em 29/11/2018
Fonte: ASCOM

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