Professor da UFSJ narra experiência de tratamento do câncer de próstata

A detecção precoce do câncer de próstata é fundamental para o sucesso do tratamento. E, para isso, é necessário fazer o acompanhamento constante, por meio de consultas médicas e exames. Esse foi o caso do professor aposentado da UFSJ, João Lopes Filho, 63 anos, que descobriu rapidamente o desenvolvimento do tumor na próstata, que foi retirado com sucesso há quatro anos. E ele é enfático: os homens precisam deixar o preconceito de lado e buscar a prevenção. Confira a entrevista a seguir.

1) Como foi identificado que o senhor estava com câncer de próstata?

Eu já fazia todos os anos o acompanhamento, pelo exame de sangue (PSA - utilizado para identificar antígenos que indicam a presença do câncer). Inclusive a gente tinha os exames periódicos da universidade. O PSA dava normal, abaixo de 2,5ng/m. E, com certa idade, também passei a fazer o exame de toque.

Quando fui fazer o exame, em 2013, estava dando alterado o PSA. E havia uns dois anos que não fazia o toque. E com isso, fiz o toque e o médico constatou que tinha uma parte endurecida. Foi pedida a biópsia e constatou o câncer de próstata. Operei em 2014, com remoção total da próstata - que é que se usa mais no Brasil.

2) Como foi a preparação para a cirurgia?

Eu particularmente não esquentei muito a cabeça. Era final de ano, fui à praia em janeiro, fui me divertir. Não me preocupei. Quando voltei, procurei o médico para operar.

3) Como foi a recuperação?

Eu tive muita felicidade nessa questão… Quando se faz a cirurgia, com a retirada da próstata, costuma-se ter ter incontinência urinária. Durante uma semana, a pessoa fica com uma sonda dentro do ureter e uma bolsa (para receber a urina). Na semana  seguinte, vai ao médico para fazer a retirada da bolsa e, automaticamente, já manda colocar uma fralda, pois há casos da pessoa ficar um ou dois meses com incontinência urinária.

Quando o médico tirou (a sonda), coloquei a fralda. Fiz o procedimento em Juiz de Fora e quando estava voltando deu vontade de urinar. Pedi meu sobrinho para parar no restaurante, mas até achar a chave do banheiro, fiz na fralda (um pouquinho de urina). Mas, de certa  forma ,controlei. Tanto é que, quando cheguei em casa, fui tomar banho e minha mulher  veio com a fralda e eu disse: “Não precisa não”, pois em casa já havia urinado espontaneamente.

4) E foi preciso algum tratamento complementar, além da cirurgia?

O médico disse que não havia necessidade de fazer radioterapia e nenhum outro tratamento. Bastava só fazer o acompanhamento com PSA - se estivesse normal, tudo tranquilo; se começasse a elevar, teria de investigar as causas. Nesses quatros anos, os exames estão bons. Faço o exame de seis em seis meses.

5) E qual sua recomendação para os outros homens que têm receio em relação à prevenção ao câncer de próstata?

Recomendo que se deve fazer o quanto antes o PSA e mesmo o exame de toque. Antes de eu ser operado, foi feita a cirurgia em um sargento do Exército com 35 anos, que fez a mesma cirurgia que eu. Conheço muitos amigos com 60 anos que nunca fizeram. Muitos não se preocupam ou por preconceito, acham que vai ferir a masculinidade. Em relação à ereção (após a cirurgia), isso varia de pessoa para pessoa. Mas hoje os médicos já têm recursos, remédios que podem ajudar nessa questão e a manter a vida sexual ativa.

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Publicada em 30/11/2018
Fonte: ASCOM

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