Ascas recebe máquina de moer vidro produzida por alunos da UFSJ

No dia 5 de junho, celebra-se o Dia do Meio Ambiente. Em tempos de preocupação acirrada com os impactos ambientais, a UFSJ apresenta uma série de matérias especiais sobre o tema durante esta semana. Hoje, destacamos que a Associação de Catadores de Material Reciclável de São João del-Rei (Ascas) que agora recebe vidros, graças à aquisição de uma máquina produzida na UFSJ. Confira:

Na última sexta, 31, alunos e professores do curso de Engenharia Mecânica da UFSJ inauguraram, na sede da Associação de Catadores de Material Reciclável de São João del-Rei (Ascas), a máquina de moer vidro produzida na Universidade. Com a aquisição, a Ascas pode, agora, recolher vidros e proporcionar um destino correto ao material.

Segundo Zulmeia Dias, presidente da Associação, o maquinário fazia parte de uma antiga demanda do grupo de catadores, que, antes, nem mesmo recolhiam o produto, por não conseguir dar a destinação correta a ele. ”Foi uma conquista muito grande. Antigamente a gente não recolhia vidro nenhum porque não tinha nem comprador, nem a máquina”, explica.

A decisão de desenvolver uma máquina que destruísse o vidro a fim de facilitar sua reutilização é crucial do ponto de vista ambiental, já que o vidro é um material não biodegradável e que permanece na natureza por cerca de dez mil anos. Por isso, o descarte desse material em locais inapropriados é considerado muito prejudicial à natureza.

A parceria Ascas e UFSJ

O trabalho conjunto da Universidade com a Ascas ocorre desde o final do ano de 2002, por meio de um projeto de extensão/investigação cujo objetivo era auxiliar a Associação na sua organização como um empreendimento solidário. O projeto também visa estimular a inserção social desses trabalhadores qualificados da limpeza urbana, que em geral estão excluídos do mercado de trabalho, bem como a conscientização ambiental da população e a destinação adequada de resíduos sólidos recicláveis do município, a fim de tornar a preservação do meio ambiente uma realidade na cidade.

Como primeiro passo do projeto da máquina de moer vidro, os alunos identificaram a necessidade na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), programa de extensão universitária que trabalha desde 1999, inserindo no sistema formal de economia setores marginalizados economicamente. Uma vez encontrada a demanda, o aluno João Gabriel da Cruz Passos, em conjunto com os professores Artur Mariano de Souza Malafaia e Leandro Reis Muniz, elaboraram o projeto que veio a ser o trabalho de conclusão de curso do aluno. "A gente pesquisou como eram essas máquinas e achou uma mais ou menos nesse estilo de funcionamento que dava pra replicar. Aí adaptamos ela pra Ascas", detalha João.

Com a ajuda das alunas Ana Flávia Oliveira e Mariana Barroso, atuais participantes do projeto, foram levantados orçamentos e iniciada sua montagem, que teve ainda destinação de verba da ONG Atuação.

Entrega oficial da máquina e treinamento

Durante o evento de sexta, os alunos e os professores orientaram os catadores sobre a melhor utilização da máquina e o uso de equipamentos de proteção individual. O evento também ofereceu treinamento para os catadores sobre a correta utilização do aparelho.

"Vejo agora uma parceria com a universidade pública. Depois que entraram os novos, eles tão se preocupando muito com a Ascas. Então, junto com o pessoal da Universidade, a Ascas tá muito desenvolvida. E daqui pra frente eu creio que ela vai desenvolver mais ainda", celebra Zulmeia.

Para o professor Leandro, esta ação conjunta ainda pode render outros projetos: "É um potencial muito grande. Foi o primeiro passo”, vislumbra. O resultado da parceria foi festejado também pelo professor Artur, que considera este trabalho gratificante: "nada mais justo que dar um retorno para a sociedade, que neste caso é bem amplo, porque é tanto pelo meio ambiente quanto pela geração de renda para as pessoas que trabalham com economia solidária."

João, agora aluno de mestrado na UFSJ, considera que produzir a máquina aumentou o conhecimento deles sobre engenharia mecânica ao mesmo tempo em que contribuíram para a sociedade. “É um aprendizado diferente, é uma questão técnica e um aprendizado de vivência, conversar com o pessoal aqui [na Ascas], ver o que eles passam. Realmente, é uma construção pessoal!”

Atualmente, a Ascas está em pleno funcionamento em sua sede na Rua Prefeito Lourival de Andrade, no bairro Vila Belizário, onde recebe doações de diversos materiais recicláveis. A população são-joanense pode entregar seus materiais diretamente no local ou para os catadores que atuam pela cidade. "Agora a Ascas tá pronta pra receber vidro. Nós estamos aí pra atender a população", reforça Zulmeia. 


Publicada em 04/06/2019
Fonte: ASCOM

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