Debate aberto no CCO aborda adoecimento mental de alunos da saúde

Há alguns anos, a psicóloga Juliana Fabrini recebeu em seu consultório em Divinópolis uma aluna do curso de Medicina do Campus Centro-Oeste Dona Lindu da UFSJ (CCO). Após passar pelo processo psicoterapêutico, a estudante indicou Juliana a um amigo, que indicou a uma amiga e, após um ano, a psicóloga se viu atendendo vários alunos da Medicina do CCO.

A maioria dos pacientes de Juliana são jovens e adultos, na faixa de 20 a 35 anos - o mesmo público médio da UFSJ. “Eu fui observando um perfil muito característico desse aluno, que em vários pontos coincidiam. É um perfil de gente que se cobra muito, que não tolera frustração. Existe uma série de questões que desencadeiam e pioram o estado de adoecimento mental de estudantes”, relata.

A psicóloga, então, com o intuito de reverter esse quadro, conheceu a Liga Acadêmica de Psiquiatria e Saúde Mental (Lapso), por meio de uma paciente e aluna. A Liga havia realizado aulas abertas na faculdade sobre as particularidades do atendimento psiquiátrico, nas quais a forma de lidar com paciente com inclinação suicida já havia sido discutida.

“A Juliana me procurou e achamos que seria uma ótima ideia abordar isso numa mesa- redonda em um horário acessível aos estudantes”, conta o estudante de Medicina e diretor da Lapso, Rafael Donadeli. Assim surgiu o evento “Mesa-redonda: suicídio em estudantes da área da saúde“, nesta quinta-feira (6), de 11h30 a 13h30, no Hall do Bloco A do CCO/UFSJ.

O objetivo da mesa-redonda é chamar a atenção de alunos e professores da universidade sobre o adoecimento mental dos estudantes, que pode levar até mesmo ao suicídio. “Foi uma demanda tanto profissional quanto da gente no dia a dia, pois algumas reclamações passam despercebidas, mas devem ser levadas a sério”, ressalta Rafael.

O evento tem a participação de quatro profissionais da área da saúde: Denise Alves Guimarães, Priscilla Soares Ladeia, Nadja Lappann Botti e Juliana Fabrini. Haverá um microfone aberto para alunos compartilharem experiências e fazerem perguntas, tornando o bate-papo mais informal e interativo.

“A minha intenção é promover um alerta, uma reflexão a respeito disso e chamar atenção para a realidade. E quem sabe ir desse debate para algo maior”, complementa Juliana.

A Liga Acadêmica de Psiquiatria e Saúde Mental

A Lapso, fundada em 2011, é composta por alunos dos cursos de Medicina e Enfermagem da UFSJ. Promove aulas abertas e projetos de extensão, sendo estes principalmente por intermédio do Centro de Referência de Saúde Mental de Divinópolis. As aulas englobam muitas vezes os alunos de Psicologia da UEMG.

Atualmente como projeto de extensão, a Liga trabalha a “Abordagem individual e comunitária para a desprescrição de benzodiazepínicos na estratégia de saúde da família”, no bairro Santos Dumont, em Divinópolis. O projeto consiste em diminuir a prescrição de remédios que contém benzodiazepínico, recomendando outros mais brandos. “Benzodiazepínico é um antidepressivo que traz muitos malefícios à saúde e deixa as pessoas viciadas. É geralmente prescrito em postos de saúde de forma negligente”, explica o diretor da Lapso.

Durante a paralisação do dia 15 de maio, os membros da Liga Acadêmica aplicaram questionários sobre depressão e ansiedade na Praça do Santuário, conversando e informando as pessoas sobre alcoolismo e outras adicções.


Publicada em 05/06/2019
Fonte: ASCOM

 Voltar