"Educação física é muito mais que uma prática corporal"

O professor do Departamento das Ciências da Educação Física e Saúde (DCEFS) da UFSJ, Kleber do Sacramento Adão, é o que pode se chamar de "memória viva" da Educação Física na instituição. De um adolescente super-apaixonado por esportes no antigo Colégio São João, dos religiosos salesianos, que funcionava no atual campus Dom Bosco, ele se graduou pela UFV e foi um dos primeiros professores da extinta Funrei, tornando-se também um dos fundadores do curso de Educação Física da UFSJ. Muitas aulas, pesquisas, trabalhos e experiências fizeram com que ele hoje, às portas da aposentadoria, tenha muita história pra contar, todas emolduradas por um confessado encantamento pela educação física.

A criação e implantação do curso, há 16 anos, foi, para ele, um dos principais desafios profissionais. Participar ativamente do processo de criação do curso representou um salto significativo para a sua vida acadêmica e profissional. "Evoluímos de um projeto de Educação Física destinado ao fomento do lazer e da prática esportiva dos diversos alunos da então Funrei para a formação profissional de professores licenciados e, mais recentemente, de futuros profissionais bacharéis. O desafio, a responsabilidade, foram imensos, considerando que o curso foi implantado com apenas três professores da área", relembra. Kleber ressalta que houve avanços importantes, como a criação do Departamento das Ciências da Educação Física e Saúde e a admissão de novos professores e professoras. "Temos, hoje, um curso de qualidade reconhecida cenário nacional, conforme atestam as avaliações institucionais do Ministério da Educação, por meio da qual atingimos nível A", afirma, com orgulho.

Do alto de sua experiência, Kleber vê a Educação Física como um campo de conhecimento e uma prática pedagógica responsável pelo "se movimentar" humano, que é a essência primeira da interação com o ambiente natural e social. Para ele, a busca pelo movimento em suas múltiplas dimensões é o que confere ao ser uma essência e uma existência, desde o nascimento até a senescência. O professor da UFSJ defende que, por isso, a Educação Física deva ser um direito garantido a todos, da pré-escola à universidade, assim como fora do ambiente escolar.

Aos estudantes e futuros profissionais da área, Kleber adianta que é preciso ter em mente que a Educação Física é muito mais que uma prática corporal, um conjunto de técnicas corporais voltadas para a estética ou para a performance. "Eu recomendaria que procurassem conversar com professores de Educação Física imbuídos da visão de totalidade que compreende o movimento humano e a cultura corporal de movimento como um conjunto de experiências e saberes situados num dado tempo e espaço, que percorreu ao longo da história caminhos diversos, e até contraditórios, mas que efetivamente a levaram a ser o que é hoje no seio da sociedade e da cultura", explica.

Já para quem trabalha com Educação Física, Kleber entende que os desafios da profissão estão em se fazer presente em todos os espaços de formação humana, escolar e não-escolar, com competência técnica e compromisso ético e político, uma vez que somos seres sociais e vivemos numa sociedade diversa e plural. "Ser professor/educador físico demanda, acima de tudo, a meu ver, essa tomada de consciência de seu papel na formação não somente de corpos "saudáveis", mas corpos, mentes e corações sadios", afirma.

"Pegar ou largar"

Questionado sobre fatos pitorescos de sua vida profissional, o professor diz que um fato marcante aconteceu quando foi colocada pelo ex-reitor Mário Neto Borges, numa reunião na Reitoria, a intenção de abertura do curso de Educação Física na UFSJ. "Éramos três professores do Departamento das Ciências da Educação (Deced), que atuavam predominantemente com a Educação Física ministrada para alunos dos curso de graduação. Mas era também uma oportunidade para nosso crescimento acadêmico e para a própria Educação Física, no sentido de ocupar seu merecido lugar na estrutura institucional, da mesma forma que possibilitaria à juventude são-joanense e da região, acesso a um novo campo de atuação profissional. Como o Mário Neto disse, ‘era pegar ou largar’. Acredito que fizemos a coisa certa", afirma.

O que se seguiu à implantação da nova graduação foram anos difíceis. "Começamos o curso com três professores com formação na área. Tivemos apoio dos departamentos para as unidades curriculares do núcleo comum e de professores substitutos para as disciplinas específicas. Ainda assim não foi fácil, porém já na gestão dos ex-reitores Helvécio Reis e Valéria Kemp o passivo foi sendo ‘pago’ gradativamente, em termos de suporte relativo a recursos humanos e infra estrutura. Há ainda muito a fazer, embora muito tenha sido feito ao longo desses 16 anos de presença do curso de Educação Física na UFSJ", adianta.

Com as metas profissionais já alcançadas, o professor Kleber considera que toda a experiência pedagógica valeu a pena. E abre espaço para as memórias. Ele recorda os bons tempos do Oratório Festivo promovido pelos padres salesianos e do Colégio São João, onde estudou e foi professor. Lembra com carinho do Colégio Dom Helvécio, em Ponte Nova. "Foi lá que assinei o primeiro contrato de carteira assinada como professor". Estas escolas e a UFV para ele constituíram a base de sua educação e seu crescimento como pessoa e como professor de Educação Física. "Sou grato a estas pelo conhecimento e aprendizado que me foi proporcionado. Não poderia esquecer de forma alguma minha formação na Licenciatura Plena em Educação Física na Universidade Federal de Viçosa - UFV. Lá confirmei minha escolha e meu encantamento pela Educação Física, apesar de todas as dificuldades para estudar e sobreviver", conclui.
 

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Publicada em 03/09/2020
Fonte: ASCOM

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