Cotas raciais são pauta em live do CA de Psicologia

Autodeclaração e heteroidentificação racial no contexto das cotas raciais no Brasil. Esse é o tema da live agendada para a próxima terça-feira, 29, às 19h, no canal da TV UFSJ. O convidado é o professor da UFMG, Rodrigo Ednilson de Jesus. O evento é promoção é do Centro Acadêmico (CA) de Psicologia Ana Regina Felipe Ziller, com apoio da Coordenadoria do Curso de Psicologia e do Núcleo de Estudos sobre Gênero, Raça e Direitos Humanos (Negah).

O professor Rodrigo Ednilson é docente associado da Faculdade de Educação da UFMG, onde foi pró-reitor Adjunto de Assuntos Estudantis e integrou a Coordenação do Programa Ações Afirmativas. Entre 2019 e 2020, cursou pós-doutorado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, investigando o tema Ações afirmativas, heteroidentificação racial e identidade nacional no Brasil.

Preocupação
De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia, professora Larissa Medeiros Marinho dos Santos, a realização dessa live é consequência de uma preocupação dos estudantes. “Há cerca de dois meses, a imprensa começou a noticiar denúncias de fraudes no sistema de cotas das universidades públicas, a UFSJ inclusive”, diz. Foi então organizado um debate com representantes da Coordenadoria de curso, do Centro Acadêmico e do Negah, no qual foram discutidas formas de compreensão do processo e de intervenção na rotina da seleção por cotas, de modo a evitar possíveis fraudes. “Essa live é uma primeira ação nossa, de entender o que está acontecendo, de discutir o assunto, e de propor soluções também”, explica Larissa.

“A idéia é que possamos amadurecer a discussão sobre cotas, identidades raciais e o trabalho da Comissão de Heteroidentificação”. É o que afirma a coordenadora do Negah, professora Isabela Saraiva de Queiroz. Para ela, o importante é aprimorar os procedimentos. A experiência do palestrante, na sua opinião, é um dos pontos altos nessa direção. “Nosso convidado é uma autoridade no país no tema das cotas, uma vez que já contribuiu com o sistema em outras universidades”, destaca.

Cotas e UFSJ
No Brasil, a reserva de vagas para alunos pretos, pardos e indígenas nas universidades federais foi regulamentada pela Lei 12.711/2012, que garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas 68 universidades federais e nos 38 institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia a alunos oriundos integralmente do Ensino Médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos.

O sistema de cotas começou a ser adotado na UFSJ em 2013. Desde o ano passado, visando ao seu aperfeiçoamento, a instituição conta com uma Comissão de Heteroidentificação, atualmente presidida pelo técnico Vítor Domingos dos Santos.

De acordo com a Comissão Permanente de Vestibular, no último Sisu, o correspondente ao segundo semestre letivo deste ano, a Comissão de Heteroidentificação avaliou 289 candidatos. Desse total, 194 foram considerados aptos pela Comissão.

Leia mais
Artigo do professor Rodrigo Ednilson de Jesus publicado no Portal Alma Preta: Quem quer (pode) ser negro no Brasil? Auto-declaração e heteroidentificação racial no contexto das cotas.


Publicada em 21/09/2020
Fonte: ASCOM

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