Feira de Startups discute inteligência artificial e empreendedorismo

Entre os dias 21 e 23 deste mês, acontece a terceira edição da Feira de Startups das Vertentes, organizada de forma cooperativa entre UFSJ, Uniptan e IF-Sudeste, com apoio de setores da indústria da região de São João del-Rei. O objetivo do evento, que integra a programação do X Simpósio de Pesquisa e Inovação, é divulgar startups locais e promover rodadas de negócios entre investidores e criadores. Este ano, o tema abordado é Inteligência artificial: a nova fronteira da Ciência brasileira.

As inscrições para o evento on-line continuam abertas até o dia 23. A cada edição da Feira, uma das três instituições assume a responsabilidade pela organização do evento. A UFSJ foi a primeira, em 2018, sucedida pelo Uniptan, sendo a edição deste ano realizada pelo IF-Sudeste, sob a coordenação do professor Celso Souza.

O professor do Departamento de Ciência da Computação (Dcomp), Darlinton Carvalho, é o representante da UFSJ na comissão organizadora da III Feira de Startups. Em 2018, segundo ele, o objetivo foi informar e sensibilizar a comunidade sobre o que são startups. Ano passado, o aprimoramento veio por meio do treinamento proposto na Trilha do Empreendedor. Na edição remota deste ano, a ideia é “demonstrar na prática as maravilhas proporcionadas pelo desenvolvimento tecnológico”, contextualiza Darlinton.

As áreas temáticas do evento abrangem desde Educação e Saúde até Gestão de Pessoas e Segurança do Trabalho. A programação se divide entre palestras com pesquisadores e profissionais do mercado, mostra de startups e dois minicursos. Na quarta, 21, acontece a palestra Inteligência artificial e saúde, com o professor Wagner Meira Júnior, doutor em Ciência da Computação pela Universidade de Rochester (EUA), e titular da UFMG. A programação completa pode ser acessada neste link.

Você sabe com quem (ou o quê) está falando?
Um dos minicursos trata do desenvolvimento e aplicação de “chatbots”, e será comandado por Carolaine Barbosa, 22, aluna do 9º período de Engenharia Elétrica. O termo chatterbot (ou chatbot) surgiu da junção das palavras chatter (a pessoa que conversa) e bot (abreviatura de robot), ou seja, um robô (em forma de software) que conversa com as pessoas, explica Carolaine.

As aplicações são diversas e já se tornam acessíveis ao público que navega por sites varejistas e também pelo atendimento comercial do WhatsApp. “Um chatbot funciona através de regras pré-programadas, com a parametrização de respostas automáticas de acordo com as afirmações ou perguntas dos usuários”, afirma a estudante.

Foi em umas das hackathons de que participou que Carolaine teve os primeiros contatos com os chatbots. Ela e seu grupo desenvolveram uma solução voltada à comunicação entre pacientes com suspeita de Covid-19 e os agentes de saúde das unidades básicas (UBS). “Utilizamos um chatbot responsável por conversar com os pacientes, orientando-os sobre a gravidade dos sintomas, e propondo atividades básicas para serem realizadas no período de isolamento”, pontua.

Um chatbot pode funcionar de duas formas: por meio de inteligência artificial ou baseado em um determinado conjunto de regras. O primeiro tipo possui uma “rede neural artificial inspirada no cérebro humano”, e por isso se tornam “mais inteligentes” a cada interação humana. O segundo é justamente o que Carolaine irá mostrar em seu minicurso. “Programado para responder a um número definido de solicitações, irá compreender apenas o vocabulário pré-definido pelo programador. Por exemplo: um chatbot criado com o intuito de realizar anotações de pedidos de uma pizzaria irá perguntar ao usuário se ele deseja uma pizza portuguesa, à moda da casa ou vegetariana; qualquer resposta diferente não será reconhecida, e o chatbot reformulará a pergunta.”

O professor Darlinton Carvalho (Dcomp) destaca que esse tipo de sistema é um “grande exemplo da massificação de tecnologias de inteligência artificial”, que é o tema deste ano da Feira, o que reforça a pertinência dessa oficina. O uso dessa ferramenta remonta a um período mais antigo do que um leigo poderia imaginar. “O registro histórico do primeiro software desse tipo tem mais de cinco décadas. Foi o ELIZA, criado por Joseph Weizenbaum no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT entre 1964 e 1966.” Seu uso se intensificou a partir dos serviços de inteligência artificial desenvolvidos por empresas como Amazon, Apple, Microsoft e IBM, que lançaram, respectivamente: Alexa, Siri, Cortana e Watson.

Empresas brasileiras, como a Magazine Luíza, também utilizam os chatbots em centrais de atendimento e no comércio eletrônico: quem não conhece a Magalu? O próprio professor Darlinton atuou, em 2018, no desenvolvimento de uma dessas ferramentas, um chatbot para o Museu Regional de São João del-Rei, que permite a cada usuário conversar e se informar a respeito das obras em exposição. No mesmo ano, publicou, no IEEEXplore, com outros colegas da UFSJ, o artigo Development and Evaluation of a Chatbot for the Regional Museum of São João del-Rei.

Aposta no empreendedorismo e inovação
A III Feira de Startups se realiza dois meses depois da última edição do Hackathon Vertentes, evento voltado para inovação e tecnologia que também é realizado em parceria entre UFSJ, IF-Sudeste Campus São João del-Rei e Uniptan. São propostas que dialogam, mas há diferenças essenciais, explica Darlinton: “O Hackathon das Vertentes foi uma competição para proposição de inovações. Já a Feira apresenta resultados mais concretos, permitindo até a realização de rodadas de negócios para movimentar o setor produtivo regional.”

O X Simpósio de Pesquisa e Inovação e a III Feira de Startups das Vertentes fazem parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

 

João Vítor Bessa
Estudante de Jornalismo, estagia na Ascom


Publicada em 15/10/2020
Fonte: ASCOM

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