Madame C. J. Walker: o poder do empreendedorismo feminino

Rafaela Renó de Oliveira

A minissérie Vida e história de Madame C. J. Walker, produzida pela Netflix, conta a história de Sarah Breedlove, mulher negra nascida em 1867, na Louisiana, dois anos após o fim da escravidão nos Estados Unidos. A personagem, interpretada por Octavia Spencer, se tornou, após longa jornada, a primeira mulher milionária na história dos Estados Unidos, com seu próprio negócio de cosméticos direcionado às mulheres negras do país.

A série traz diversas questões da época, que repercutem até hoje em nossa sociedade. Ao contar sobre Sarah, vemos um pouco sobre a solidão e a invisibilidade da mulher negra na indústria de cosméticos, o que, de forma sutil, passa pela questão do branqueamento da população, ilustrada pela relação com a Sra. Malone. A série traz também o grande sexismo e racismo existente nas grandes corporações, mostrando a dificuldade que Madame teve para conseguir ser ouvida pelos seus possíveis patrocinadores, mesmo seus produtos já possuindo certa popularidade. Mostra também a relação de poder dentro de um casamento, quando Madame C. J. Walker resolve se divorciar de seu marido que havia “lhe dado” o nome. Sarah Breedlove é tambem um exemplo de emprededorismo feminista, talvez antes mesmo de saber disso. Ela criou o “Sistema Walker”: só contratava revendedoras mulheres, na maioria negras e, assim, financiou de forma indireta os estudos de suas funcionárias, evitando que essas mulheres passassem por tudo que Sarah passou no começo de sua vida.

O roteiro aborda diversas questões importantes para o empoderamento feminino e, consequentemente, para o feminismo e as lutas das mulheres frente à sociedade opressora, levando em consideração a raça, classe e gênero dessas mulheres. A história de Madame C. J. Walker é inspiradora, e nos provoca a refletir sobre formas de ressignificar as opressões e trazer potências importantes para a luta feminista.

Assista ao trailer da série: https://youtu.be/PxIAdqHbloM.


Aluna do curso de Psicologia da UFSJ, milita no Coletivo Severinas


Publicada em 15/03/2021
Fonte: ASCOM

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