Voa Margarida: Trem Ki Voa Micro é hexacampeã nacional na competição de Aerodesign
Publicada em 06/11/2025
O hexa chegou primeiro na UFSJ!
Entre os dias 30 de outubro e 02 de novembro, São José dos Campos foi palco de mais uma vitória da equipe de competição Trem Ki Voa Micro (TKVm). Após a 27ª Competição SAE Brasil AeroDesign 2025 o projeto se tornou hexacampeão nacional e ganhou o Prêmio Destaque Embraer com a Margarida, nome dado à aeronave da equipe este ano.
O Trem Ki Voa conquistou o título na categoria Micro, que reuniu 23 equipes de universidades de todo o país. Nessa modalidade, o desafio é alcançar o máximo desempenho em aeronaves de menor escala, priorizando leveza estrutural e a capacidade de transportar grandes cargas em relação ao próprio peso. Os projetos micro também abrangem outros tipos de desafios como ter aeronaves que são totalmente montáveis e desmontáveis de forma rápida.
Durante a competição, cada equipe realizou até sete voos e o melhor desempenho entre eles é considerado para a pontuação final. Esse ano, a missão dos grupos micro era projetar uma aeronave multimissão, ou seja, que fizesse a Missão Líquida (transporte de líquidos com a maior quantidade de carga possível) e a Missão Low-Altitude Parachute-Extraction System (LAPES), onde a equipe deve lançar uma carga útil usando um paraquedas de baixa altitude durante o voo. Cada voo é avaliado com base na carga transportada e na eficiência do projeto, isto é, o quanto o avião consegue carregar em relação ao seu peso total.
Segundo Hugo Ferreira, um dos capitães da equipe, a Margarida foi projetada para ser extremamente leve, eficiente, competitiva e confiável. Os detalhes foram pensados para extrair o máximo desempenho. “Ela se destacou pela estabilidade nos voos e pela capacidade de transportar uma boa carga. Ela representa o esforço coletivo, a criatividade e a persistência de toda a equipe”, explica o estudante.
A competição e a próxima fase
A Competição SAE BRASIL AeroDesign é um desafio lançado aos estudantes de Engenharia que tem como objetivo fazer um intercâmbio de técnicas e conhecimentos de Engenharia Aeronáutica. Para isso, aplicações práticas e a competição entre equipes são os “aviões chefes” do desafio.
As equipes de competição recebem anualmente novos regulamentos baseados em desafios reais enfrentados pela indústria aeronáutica. Sendo assim, a SAE Brasil AeroDesign é composta por três categorias distintas: Regular, Advanced e Micro, com requisitos específicos em cada uma delas. As avaliações e classificação das equipes são realizadas em duas etapas: Competição de Projeto e Competição de Vôo, onde os projetos são avaliados comparativamente por engenheiros da indústria aeronáutica, com base no desempenho dos projetos.
O projeto Trem Ki Voa Micro se tornou o primeiro projeto da UFSJ a receber prêmios nacionais e internacionais, depois de alcançar o título de vice-campeão mundial, em 2015. Com a vitória nacional esse ano, o grupo tem a chance de participar mais uma vez da competição mundial.
A atual coordenadora do projeto, Jacqueline Yanes, relata que está nesse cargo há 2 meses e quando chegou a equipe já estava se preparando para o último teste de voo e apresentação oral, que acontece poucos dias antes da competição de forma remota. Entretanto, mesmo com esse curto período a professora diz que conheceu os segredos de tanto sucesso: paixão, confiança, orgulho, amizade e desempenho. “Fui recebida com entusiasmo e, em poucos dias, já estava completamente envolvida nessa energia e alegria. Agora, estou ansiosa para participar de um novo projeto e de um novo desafio”, diz a coordenadora.
A trajetória do Trem Ki Voa
A Equipe TKVm foi fundada em 2009 na UFSJ e desde 2010 participa da Competição Nacional SAE Brasil Aerodesign. A primeira vitória foi conquistada em 2014 e, no ano seguinte, alcançou o segundo lugar no pódio do campeonato Mundial. Para chegar na sexta estrela conquistada no último final de semana, a equipe sanjoanense também venceu em 2016, 2020, 2021 e 2024.
O professor Cláudio Pellegrini, do Departamento de Ciências Térmicas dos Fluidos (DCTEF), hoje ex-coordenador do TKVm, mas que esteve à frente do projeto por 13 anos, relembra a emoção de ser declarado vencedor da competição, e como o nervosismo que precede o anúncio dos premiados se transforma em pura felicidade pela missão cumprida. “É uma explosão de alívio e alegria indescritíveis! É um sentimento que marca a gente para a vida. E sim, compensa, cada hora de trabalho, cada noite de sono perdida, cada obstáculo superado. Compensa todo o cansaço”, conta Pellegrini.
Na visão do professor, o maior título é o aprendizado, a formação dos estudantes e a projeção da instituição. Integrar uma equipe como essa permite que os estudantes desenvolvam habilidades que a sala de aula sozinha não consegue transmitir, formando não apenas engenheiros, mas profissionais de alto nível que levam o nome da UFSJ para o mercado.
“Para a UFSJ, é a prova incontestável da qualidade do nosso ensino. Quando uma universidade do interior de Minas Gerais se consolida como uma potência nacional, disputando – e vencendo -- os maiores centros do país, isso gera um impacto imenso na credibilidade dos nossos cursos de Engenharia. Atrai olhares de empresas, fortalece parcerias e inspira as próximas gerações”, declara o ex-coordenador.
Texto: Lívia Antoniazzi e Luiza Ferraz
Arte: Lívia Antoniazzi