Programa de Neuromodulação desenvolve pesquisas sobre depressão, ansiedade e TDAH: você pode participar!
Publicada em 12/12/2025
A saúde mental vai além das vivências individuais: ela é resultado de uma rede de fatores interligados. Em um mundo cada vez mais acelerado, falar sobre saúde mental significa falar sobre cuidado e qualidade de vida. Nesse cenário, diversos métodos terapêuticos têm se destacado em prol da preservação do bem-estar coletivo. Entre elas, há a neuromodulação, um conjunto de técnicas que age diretamente sobre o sistema nervoso central com o intuito de reconfigurar a atividade cerebral e restaurar o equilíbrio funcional.
Pensando nisso, estudantes de Medicina e Psicologia da UFSJ estão desenvolvendo duas pesquisas aplicadas em neurociência voltadas ao tratamento de ansiedade, depressão e TDAH. Sob orientação da professora Laila Damázio (DEMED), os estudos avaliam os efeitos da Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) e oferecem sessões gratuitas de neuromodulação para a comunidade acadêmica.
As pesquisas investigam a ETCC, uma técnica terapêutica segura e não invasiva aplicada por meio de correntes elétricas de baixa intensidade em áreas específicas do cérebro. O objetivo dos projetos é compreender como esse tipo de estimulação pode aprimorar funções cognitivas, regular emoções e potencializar o desempenho acadêmico.
Para a orientadora Laila, os estudos sobre neuromodulação, além de encorajar o desenvolvimento do raciocínio crítico e reflexivo dos estudantes, também podem incentivar novas estratégias de cuidado à saúde mental dentro da UFSJ. “Existe uma luz no final do túnel para o tratamento não invasivo e não medicamentoso para diversas doenças que acometem a saúde das populações, e são intervenções baseadas em evidência científica confiável”, destaca a professora.
Programa de Neuromodulação: Avaliação dos Efeitos da ETCC no Manejo de Depressão e Ansiedade
O Programa de Neuromodulação, financiado pela Fapemig, oferece sessões de estimulação para o tratamento de pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) e ansiedade. Para isso, o estudo é composto por cinco etapas: entrevista de avaliação inicial, sessões de neuromodulação, consulta psicológica, testes neuropsíquicos e, por fim, uma autoavaliação sobre os efeitos do tratamento na qualidade de vida.
O estudante Calebe Garcia, bolsista da pesquisa, explica que o Programa nasce da necessidade de ampliar o acesso a intervenções inovadoras e não invasivas para saúde mental, especialmente entre estudantes. Segundo ele, “o ambiente universitário favorece a pesquisa translacional: podemos avaliar intervenções com rigor científico e, ao mesmo tempo, oferecer serviços de saúde à comunidade acadêmica”.
Calebe destaca que os objetivos do estudo incluem investigar a segurança e a aceitabilidade da ETCC, medir mudanças nos sintomas de depressão e ansiedade após o protocolo e identificar quais características estão associadas a melhores respostas ao tratamento. “Os transtornos de ansiedade e depressão também respondem, em estudos prévios, a abordagens de neuromodulação, o que justifica investigá-los de forma específica”, acrescenta.
Na avaliação do pesquisador, desenvolver o Programa tem sido um processo importante para sua própria formação acadêmica e para o fortalecimento da produção científica na UFSJ: “Participar do projeto fornece formação prática em métodos de pesquisa clínica, avaliação diagnóstica, protocolos de neuromodulação, manejo ético de participantes e trabalho interdisciplinar, competências valiosas para carreira acadêmica e clínica”, afirma.
“Em suma: é formação de qualidade + impacto social e científico para a Universidade”, celebra Calebe.
As sessões são gratuitas e abertas a à comunidade. Podem participar pessoas com 18 anos ou mais, incluindo tanto indivíduos com diagnóstico prévio de depressão e/ou transtornos de ansiedade quanto aqueles que apresentam sintomas, mas ainda não passaram por avaliação formal.
As inscrições podem ser realizadas neste formulário. Informações e agendamentos também estão disponíveis pelo e-mail programa.neuromodulacao.ufsj@gmail.com ou pelo telefone (32) 99819-3617.
Neuromodulação e Atenção: Avaliação dos Efeitos da (ETCC) em Estudantes Universitários com TDAH
O segundo estudo, Neuromodulação e Atenção, financiado pelo CNPq, investiga como a ETCC pode melhorar funções executivas de estudantes universitários com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) — grupo que frequentemente enfrenta dificuldades acadêmicas e, muitas vezes, não possui diagnóstico formal.
O estudante Caio de Sant Anna Grupioni, bolsista da pesquisa, conta que o TDAH causa sérios prejuízos na vida adulta, especialmente nas vivências da faculdade. “Os estudantes que possuem TDAH têm um déficit de atenção, de organização e de controles executivos, e não conseguem inibir tão bem impulsos. Todas essas funções executivas do cérebro são exigidas o tempo todo no contexto universitário”, esclarece o pesquisador.
De acordo com o bolsista, a ETCC modula áreas do cérebro por meio de dois neurotransmissores chamados dopamina e glutamato, o que fortalece a atenção sustentada, o foco, a memória de trabalho e o controle inibitório. “Melhorando esses fatores, os estudantes com TDAH vão conseguir melhorar a atenção ao fazer provas e prestar atenção nas aulas, e isso é benéfico não só na faculdade, mas em tudo que envolva trabalho e atenção”, conclui.
Caio ressalta a importância da pesquisa no âmbito acadêmico, uma vez que ainda são poucas as pesquisas aplicadas em neurociência voltadas ao tratamento do TDAH. Além disso, “oferecer esse tratamento também representa uma importante medida de inclusão por parte da Universidade”, pontua.
As sessões de neuromodulação estão abertas para os estudantes da UFSJ que tenham diagnóstico de TDAH e serão realizadas em duas etapas: primeiro, a triagem, com aplicação de testes de atenção, e depois as sessões com a ETCC, que duram cerca de 20 minutos. Para se inscrever, acesse este link.
As pesquisas são desenvolvidas pelos professores Laila Cristina Moreira Damázio, Fabrízia Reis Pinto Brandão, Leonardo Jardim Vaz de Mello, Diogo Antônio Bloes Chagas, Mário César Rezende Andrade, pela fisioterapeuta Vanderlucia Mendes de Freitas, pelos estudantes de Medicina Caio de Sant Anna Grupioni, Calebe Garcia Fonseca Salles, Daniela Carolina De Souza, Henzo de Almeida Camargos Cardoso, João Marcos Da Silva Carvalho De Queiroz e Laysa Maria da Silva, Victor Francisco Marques Alves, Ruy Fernando Antonucci Neto, Ana Clara Paiva Alves, Rafaela Paula de Moura e pelas estudantes de Psicologia Elisa Cristina Cruz Arruda e Tainara Aline Gonçalves Pinheiro.
Texto e arte: Clarice Muscalu