UFSJ em campanha contra a violência às mulheres

Publicada em 13/03/2026

Na semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, a UFSJ entra na campanha Banco Vermelho, contra a violência às mulheres, e instala o banco em todos os seus campi. A instalação será acompanhada de uma programação especial na Universidade.

Inspirado em um movimento internacional criado na Itália em 2016, o Banco Vermelho tornou-se símbolo de memória das vítimas de feminicídio e de alerta à sociedade. A iniciativa consiste na instalação de bancos pintados de vermelho em espaços públicos, acompanhados de mensagens de conscientização e informações sobre canais de denúncia e apoio às vítimas.

A proposta é simples, mas poderosa: sentar para refletir sobre a realidade da violência de gênero e levantar para agir! “O Banco Vermelho é um convite para que toda a comunidade se una no enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirma a professora Rosy Ribeiro, idealizadora da campanha na UFSJ.

Em 2024, a iniciativa foi reconhecida como política pública no Brasil por meio da Lei nº 14.942/2024, que oficializou a instalação de bancos vermelhos em espaços públicos como estratégia de sensibilização social.

A campanha é do Instituto Banco Vermelho (IBV), organização brasileira sem fins lucrativos dedicada ao enfrentamento da violência contra a mulher e à promoção do feminicídio zero no país.

Programação da UFSJ

O primeiro campus a promover atividades da campanha é o de Sete Lagoas (CSL). Nesta quinta, 12 de março, às 14h30, o CSL recebe a professora Rosy Ribeiro e a secretária Municipal da Mulher de Sete Lagoas Karine Araújo, no Auditório da Biblioteca.

Na terça, 17, às 10h, é a vez do Campus Centro-Oeste Dona Lindu (CCO), que terá roda de conversa conduzida por Ana Cláudia Calixto Viana, vice-presidente Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres. A programação acontece no hall do Bloco A.

Dia 19, às 14h, o Campus Dom Bosco recebe as professoras e psicólogas Valéria Kemp e Maria Nivalda de Carvalho. A conversa terá moderação da professora do curso de Comunicação Social da UFSJ, Kátia Lombardi.

Em breve publicaremos, também, a programação do Campus Alto Paraopeba.

Educação, diálogo e responsabilidade coletiva

O Instituto Banco Vermelho atua por meio de campanhas educativas, intervenções urbanas, palestras, capacitações e parcerias com instituições públicas, universidades, organizações da sociedade civil e setor privado. As ações buscam ampliar o debate sobre as múltiplas formas de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, além de incentivar a denúncia e fortalecer redes de apoio às vítimas.

Nesse contexto, universidades públicas desempenham papel essencial na produção de conhecimento, no desenvolvimento de ações de extensão e na promoção de debates que contribuam para transformar a realidade social.

Um chamado à reflexão e à ação

Mais do que uma data comemorativa, o Dia Internacional da Mulher reforça a necessidade de ampliar o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.
Cada ação de conscientização, cada denúncia realizada e cada política pública implementada representam passos importantes no enfrentamento à violência de gênero. A mobilização social, a educação e o fortalecimento das redes de proteção seguem sendo fundamentais para que o país avance na defesa dos direitos das mulheres e na prevenção de crimes que ainda tiram milhares de vidas todos os anos.

É um momento de reconhecimento das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, mas também de reflexão sobre os desafios que ainda persistem na garantia de direitos e na proteção à vida. No Brasil, a data ganha um significado ainda mais urgente diante dos altos índices de violência de gênero e feminicídio registrados no país.

Dados recentes mostram que a violência contra a mulher permanece como um grave problema social. Em 2025, o Brasil registrou quase 1,5 mil casos de feminicídio, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado pela legislação brasileira em 2015. O dado representa uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero.

Entre 2015 e 2024, foram contabilizadas mais de 11,5 mil ocorrências de feminicídio no país, evidenciando que, apesar dos avanços legais e das campanhas de conscientização, o problema continua a exigir mobilização permanente da sociedade e das instituições públicas.

Violência que atravessa o cotidiano das mulheres

Além dos casos de feminicídio, outros indicadores revelam a dimensão da violência de gênero no Brasil. Em 2024, foram cerca de 72 mil casos de estupro de mulheres, o equivalente a uma média de 196 ocorrências por dia. Ao longo da última década, entre 2015 e 2024, o país contabilizou 591.495 registros de estupro de mulheres.

Outro dado preocupante aponta que 76,6% das notificações de violências domésticas, sexuais ou outras formas de agressão contra mulheres são cometidas por homens, sendo que grande parte desses casos ocorre no ambiente doméstico ou familiar.

De acordo com levantamentos divulgados em campanhas de conscientização, mais de 30% das mulheres brasileiras vivenciam algum tipo de violência de gênero ao longo de um ano, o que demonstra que a violência contra a mulher não é um fenômeno isolado, mas uma realidade que impacta milhões de brasileiras.