Professor da UFSJ colabora com a redação da Declaração de Dakar
Publicada em 22/06/2026
O professor Rogério Maurício, do Departamento de Biotecnologia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), participa do 14º Encontro da Parceria Multissetorial da Agenda Global para a Pecuária Sustentável (Global Agenda for Sustainable Livestock – GASL), realizado entre os dias 8 e 11 de junho, em Dakar, no Senegal. O encontro internacional é ligado à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e reúne representantes de governos, universidades, organismos internacionais, produtores rurais e instituições de pesquisa para discutir estratégias voltadas à sustentabilidade da produção pecuária em escala global.
Um dos destaques do encontro é a Declaração de Dakar, documento construído de forma colaborativa por especialistas de diferentes países e que estabelece compromissos voltados à transformação sustentável dos sistemas pecuários. Rogério Maurício participou da redação do texto e destaca que uma de suas contribuições foi reforçar o papel da ciência como elemento central para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis. A declaração enfatiza a importância da inovação, da capacitação de produtores, do uso eficiente dos recursos naturais, da redução da intensidade das emissões de gases de efeito estufa e da conservação da biodiversidade.
O documento foi elaborado no contexto do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (International Year of Rangelands and Pastoralists – IYRP) e do Ano Internacional da Mulher Agricultora (International Year of the Woman Farmer – IYWF), promovidos pela FAO. Entre os temas abordados estão a valorização da participação feminina na produção pecuária, a permanência dos jovens no meio rural e o fortalecimento de políticas públicas e ações baseadas em evidências científicas.
Para o professor, a discussão é especialmente relevante para o Brasil. “O Brasil é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo e, para se manter nessa posição, a sustentabilidade das práticas agropecuárias é imprescindível. Isso reforça a necessidade de conciliar produção e conservação ambiental”, afirma.
A UFSJ integra a GASL desde 2011, quando aderiu oficialmente ao movimento internacional. Segundo Rogério Maurício, essa participação demonstra o compromisso da universidade com ações de alcance global e com a internacionalização da produção científica desenvolvida na instituição. Desde então, a UFSJ tem contribuído para debates relacionados à produção animal sustentável, conciliando aspectos econômicos, sociais e ambientais.
As pesquisas desenvolvidas por Rogério Maurício dialogam diretamente com esses objetivos. Um dos focos dos trabalhos conduzidos pelo grupo está no desenvolvimento de sistemas silvipastoris, que integram árvores, pastagens e produção animal. Esses sistemas são apontados pelos pesquisadores como alternativas para ampliar a sustentabilidade da atividade, contribuir para a redução das emissões de metano entérico e promover maior equilíbrio ambiental nas propriedades rurais.
Entre as perspectivas futuras estão a ampliação da difusão de práticas silvipastoris e o desenvolvimento de técnicas que permitam mensurar as emissões de metano entérico diretamente nas propriedades rurais, contribuindo para a geração de indicadores mais precisos sobre sustentabilidade na pecuária.
Para o docente, a participação da universidade em fóruns internacionais fortalece a inserção da produção científica brasileira nos debates globais sobre sustentabilidade e segurança alimentar. “Quero agradecer imensamente o apoio da UFSJ, do Departamento de Biotecnologia e do Setor de Acompanhamento e Desenvolvimento de Pessoas, que tornaram possível minha participação nesse movimento internacional em prol da pecuária sustentável”, destacou.
Criada com apoio da FAO, a Agenda Global para a Pecuária Sustentável reúne parceiros comprometidos com o desenvolvimento sustentável do setor pecuário. A organização busca promover ações coletivas baseadas em evidências científicas para enfrentar desafios como mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, conservação da biodiversidade e segurança alimentar, temas considerados centrais para o futuro da produção agropecuária mundial.