Jornada discute legado acadêmico do professor Toninho Assunção
Publicada em 23/06/2026
Me divirto imaginando como ele estaria constrangedoramente feliz com essa homenagem que lhe pareceria implacável. Posso fazer esse exercício analítico porque eu era da turma que chamava nosso mestre de Juca, o nome dele em casa, que colocava em perspectiva todo o seu poder de liquidar discursos frases-feitas com uma penada. Toninho teria sido um grande inventor de manchetes, se tivesse escolhido a Comunicação ao invés da Letras, ao melhor estilo Eneida Maria de Souza, outra doutora em sacar títulos irretocáveis.
Desmontava encarniçadas fake news numa passada d’olhos, como se fosse imune às pragas teóricas de nosso tempo, solidamente amparado pelos autores que faziam sua cabeça, e que ele nos ensinou a amar, apesar de certas asperezas. Talvez por isso “legado” seja uma palavra tão própria à sua trajetória, como comprova a escolha de carreira dos professores Cláudio Márcio do Carmo e Nádia Dolores Biavati, que foram atuar na análise do discurso totalmente por influência do Juca.
Nada mais justificado, portanto, que a sétima edição da Jornada de Estudos do Discurso do PROMEL homenageie a produção crítica do professor Toninho Assunção, reconhecendo sua importância intelectual, humana e formativa para os estudos da linguagem, do discurso e para tantas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele. “Seu pensamento, sempre atento às simplificações e aos consensos fáceis, continua provocando reflexões e inspirando as pesquisas na pós-graduação em Letras”, afirma a mestranda Bruna Marinho, coordenadora do evento.
Horizontes toninianos: linguagem, poder e minorias começa nesta quarta, dia 24, e vai até a sexta, 26, no Anfiteatro do Campus Dom Bosco, analisando como os discursos operam na construção de sentidos, identidades e hierarquias sociais, com atenção particular às vozes historicamente marginalizadas. Ao articular linguagem e poder, o debate enfatiza o papel do discurso na manutenção e contestação de desigualdades, especialmente no que diz respeito às minorias sociais, culturais e políticas.
Alexandre Cadilhe (UFJF), Fernanda Zanola (UFLA) e a ex-ministra Macaé Evaristo palestram na VII Jornada, aberta a pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em compreender o discurso como prática social, sob as perspectivas teóricas e metodológicas que dialogam com a tradição crítica que Toninho ajudou a construir e a consolidar. Pensar o discurso como campo de disputa, resistência e possibilidade, reafirmando o compromisso ético e político que permanece vivo, latente e provocador – eis o que se busca. “Imagino que Toninho receberia a homenagem com uma mistura de curiosidade, generosidade e espírito crítico que lhe eram característicos, talvez questionando seus pressupostos, mas também valorizando o encontro, o diálogo e a produção coletiva de conhecimento que ela pretende promover”, considera Bruna.
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Texto: Cibele de Moraes (ASCOM)