Egressa da UFSJ publica estudo sobre o radicchio, uma PANC

Para a cultura culinária brasileira, uma das hortaliças mais comuns é a alface, encontrada em qualquer restaurante ou quitanda. Já em Minas Gerais, as folhas de couve ou taioba fazem parte da tradição. Porém, há uma infinidade de outras plantas comestíveis que não são consumidas ou sequer conhecidas. É o caso dos radicchios, uma planta alimentícia não-convencional, ou PANC, na denominação científica e culinária.

Ao longo de um ano, a egressa do curso de Engenharia de Alimentos do Campus Sete Lagoas, Franciele Marques de Oliveira, desenvolveu suas pesquisas de iniciação científica e de conclusão do curso a respeito do radicchios. O título de sua monografia é Avaliação da qualidade microbiológica, físico-química e funcional de radicchio (cichorium intybus) minimamente processado.

Franciele conta que o tema da pesquisa surgiu por acaso. A ideia inicial era trabalhar com algo “saudável, natural e funcional”. Foi a sua orientadora, professora Andréia Marçal da Silva, quem propôs a pesquisa sobre os radicchios, alimento não-convencional que pode ser confundido com o repolho roxo. “Como era bem na linha do que eu estava interessada, aceitei na hora”, lembra.

Durante dois semestres, a agora engenheira de alimentos teve que lidar com as dificuldades para encontrar boas fontes sobre o assunto. “É uma planta extremamente importante, rica nutricionalmente, mas que pouca gente conhece.” Devido a essa lacuna, Franciele sentiu-se motivada a contribuir para a divulgação dos radicchios, tanto na Academia quanto fora dela.

Na pesquisa, foram utilizadas folhas de radicchios coletadas em uma horta de produtos orgânicos que trabalha com adubos naturais, água potável e não utiliza agrotóxicos, localizada na cidade de Capim Branco, na região de Sete Lagoas.

Alimentos não-convencionais
Em comparação a outras plantas mais conhecidas, a professora Andréia Marçal explica que as hortaliças não-convencionais possuem uma concentração de minerais significativamente maior, além de apresentar compostos com função antioxidante, reduzindo a quantidade de radicais livres no organismo. “Uma dieta rica em alimentos com essas propriedades funcionais reduz o risco de doenças cardiovasculares, problemas inflamatórios e até mesmo o câncer. A proteção contra essas enfermidades se dá devido ao alto teor de compostos fitoquímicos dessas plantas, substâncias que possuem propriedades antioxidantes”, completa.

Entre esses compostos, estão o ácido ascórbico, os carotenóides e os compostos fenólicos, que incluem os flavonóides e as antocianinas, encontradas em frutas e hortaliças. É justamente por conta de seu alto teor de fitoquímicos que os radicchios têm sido pesquisados.

Andréia diz ainda que o autor do termo PANC foi o professor Valdely Ferreira Kinnupp, referência na área da Botânica. Dentro dessa classificação, há as plantas silvestres e as espontâneas, que não necessitam de cuidados especiais ao longo do plantio, já que são de fácil crescimento.

No Brasil, a maior parte do cultivo dessas hortaliças se concentra na agricultura familiar, sendo seu conhecimento e cultivo transmitido entre gerações. Em termos de mercado, as PANC’s representam uma fonte de renda para as famílias pequeno-produtoras, que podem investir em produtos pouco conhecidos e consumidos no país.

O termo “minimamente processados” diz respeito a frutas e hortaliças que são modificadas fisicamente, mas que mantêm o “estado fresco”. As etapas do processamento são a pré-seleção, lavagem, corte, sanitização, enxágue, centrifugação, embalagem e armazenamento refrigerado. “Alimentos minimamente processados são uma forma de se consumir um produto de qualidade assegurada e de fácil preparação”, ensina Andréia, que destaca o hábito de comer alimentos processados (ou de fácil preparo) como uma tendência mundial.

Já graduada, Franciele tem preferido atuar no mercado. Enxerga os radicchios não apenas como tema de pesquisa, mas como possível negócio: uma empresa voltada para o processamento mínimo de hortaliças não-convencionais e, de preferência, orgânicas. Preparada para empreender, ela já ensaia uma propaganda: “Já pensou em poder comprar um radicchio, um almeirão, uma taioba, minimamente processadas, prontas para serem utilizadas?”, projeta.

Saiba mais
O radicchio tem origem italiana, é primo da chicória, de gosto amargo e textura crocante. É mais comum encontrá-la na cor roxa – a variação rosa é cultivada em apenas duas regiões do mundo: Veneto, na Itália, e em alguns locais na Pensilvânia e na Califórnia (EUA). É colhido no outono, replantado e coberto com areia para evitar a exposição ao sol e o escurecimento das folhas.

João Vítor Bessa
Estudante de Jornalismo, estagia na Ascom


Publicada em 23/07/2020
Fonte: ASCOM

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