Professor da UFSJ debate negacionismo científico em e-book

Publicada em 13/05/2022 - Fonte: ASCOM

O professor do Departamento de Tecnologia em Engenharia Civil, Computação, Automação, Telemática e Humanidades (DTECH/UFSJ), Marconi de Arruda Pereira, assina artigo no e-book Dossiê contra o negacionismo – A importância do conhecimento científico, lançado pela PUC Minas e pela Rede Mineira de Comunicação Científica (RMCC), entidade que reúne mais de 20 universidades e institutos de pesquisa do Estado.

A obra, publicada pela Editora PUC Minas, vem a público nesta sexta-feira, 13, em cerimônia transmitida pela PUC Minas Lives, com a participação do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, além de autores, professores e pesquisadores convidados.

Professor Marconi assina, com seu colega de Departamento, Marcos Kakitani, e alunos e egressos da UFSJ, o artigo intitulado O negacionismo na popularização do uso de satélites, que busca apresentar como o movimento negacionista influencia a sociedade a não se envolver com a ciência aeroespacial, particularmente o uso de satélites. “De fato, existem hoje diversas iniciativas que visam realmente popularizar o conhecimento e o uso de satélites por pessoas comuns. Na contramão disso, vê-se o movimento negacionista atuando para desmoralizar, como se fosse possível, a Ciência por trás da operação dos satélites artificiais”, avalia Marconi.

O artigo é resultado de uma parceria entre membros das equipes de extensão e competição PY4CAP e NoizOrbita. “O texto é fruto de discussões realizadas ao longo do ano de 2021, quando reunimos fatos concretos sobre pessoas negacionistas que colocaram suas vidas em risco a fim de tentar provar que a Terra é plana. Os terraplanistas são inimigos dos satélites artificiais e de toda a Ciência necessária para se colocar esses artefatos em órbita."

Quando perguntado sobre a importância do conhecimento científico, o professor não titubeia: “Fazer Ciência é uma atividade humana tão importante quanto produzir alimentos, proporcionar segurança pública, entre outros. Graças aos avanços da Ciência, as pessoas estão vivendo cada vez mais tempo e em melhor condições de conforto e bem-estar. Especificamente na área de comunicações via satélite, hoje temos equipamentos capazes de prover internet em qualquer ponto do território brasileiro. O que precisamos agora é nos esforçarmos, como sociedade, para que essas tecnologias se tornem efetivamente populares e acessíveis a todos os brasileiros”, ressalta.

Lançamento
Os debates foram coordenados pelo professor Mozahir Salomão Bruck, secretário de Comunicação e docente da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, pela jornalista Marisa Cardoso, assessora da PUC Minas, pelo jornalista Marcus Vinicius Dos-Santos, da Assessoria de Comunicação Social e Divulgação Científica do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG e da RMCC, com a participação da pesquisadora Luciana Melo Silva, chefe do Serviço de Biologia Celular da Fundação Ezequiel Dias, egressa da PUC Minas.

Organizado por Mozahir Salomão Bruck e pelos jornalistas Marisa Cardoso e Marcus Vinicius Dos-Santos, o e-book tem prefácio do pró-reitor de Pesquisa e de Pós-Graduação da PUC, professor Sérgio de Morais Hanriot, e artigos e ensaios de professores e pesquisadores da PUC Minas e de instituições de ensino superior e de pesquisa integrantes da RMCC, que analisam o negacionismo em diversas áreas do conhecimento.

O resultado são mais de 20 textos, produzidos em 2021, que tratam do negacionismo na política, na saúde, na história, na física, na química, na religião, no meio ambiente, na educação. São ensaios que buscam possíveis causas para o recrudescimento do fenômeno e tentam entender a influência de fatores socioculturais, ideologias e crenças que comprometem a edificação de uma postura crítica diante do conhecimento científico e que são agravados em contextos de crise.

Apesar de não ser novo, o termo negacionismo tem estado em evidência nestes anos recentes no Brasil e em algumas localidades do mundo, com resultados devastadores, especialmente durante a pandemia de covid-19. Por negar a Ciência, apontam os organizadores do e-book, autoridades negligenciaram a aquisição de imunizantes no devido tempo e, em janeiro de 2022, registrava-se que uma parcela expressiva da população mundial deixou de se vacinar contra a covid-19 e ignorou os protocolos sanitários recomendados, contribuindo para a maior disseminação do coronavírus. “Mas nem só de pessoas antivacina são formados os grupos de negacionistas. Eles perpassam todas as áreas, com discursos e práticas que colocam em xeque não somente a Ciência, mas também as conquistas civilizatórias da humanidade”, pontuam os organizadores da publicação.

Diante disso, os autores convergem para uma questão fundamental no combate ao negacionismo, indicando a promoção da cultura científica como proposta para capacitar as pessoas para a percepção do fenômeno e das fake news, ou notícias fraudulentas. E mais que isso: como aponta um dos textos, o letramento científico promovido “de forma dialógica e contextualizada às realidades distintas, em espaços formais e não formais de aprendizagem, pode ser uma estratégia para o exercício da cidadania, com a percepção da ciência na cultura e suas implicações no cotidiano e nas políticas públicas.”

O e-book será disponibilizado gratuitamente nas principais lojas virtuais. Na Amazon, o link é este.

 

Gabriella Canuto
Estudante de Jornalismo, estagia na Ascom