Inserção Social
O programa de pós-graduação em Ciências da Saúde tem atuado como um motor de transformação econômica e cultural na região centro-oeste de Minas Gerais. Ele contribui para a criação de uma sociedade mais inovadora, produtiva e informada, enquanto fomenta valores como diversidade, inclusão e o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Além disso, os benefícios gerados pelas atividades nele desenvolvidas tendem a ter efeitos multiplicadores, impactando gerações futuras e criando um ciclo contínuo de progresso. O Programa frequentemente reúne pessoas de diferentes origens, promovendo a troca de ideias, experiências e valores culturais. Esse espaço incentiva a construção de redes globais de conhecimento e colaboração. O impacto social também é central para o PPGCS e consta em seus objetivos e em sua missão como programa de pós-graduação. O PPGCS foi o primeiro programa de pós-graduação stricto sensu do Centro-Oeste mineiro e atualmente é o maior programa da UFSJ.
O PPGCS têm se atentado para questões além da formação de pesquisadores com alto nível de produção. Apesar da importância dos indicadores da CAPES, ressaltamos a necessidade de abordar o nosso papel frente às demandas regionais. Portanto, no contexto da região em que o mesmo se encontra, e no perfil diversificado do nosso corpo docente, o Programa também tem como missão o impacto na sociedade e devolve para a mesma profissionais capazes de transformá-la.
O programa desenvolve estudos articulados com diversas instituições educacionais e de saúde do município de Divinópolis, com as secretarias municipais de saúde de diferentes municípios da região, além de projetos vinculados diretamente ao Ministério da Saúde. Alguns destaques das atividades do PPGCS com impacto social e econômico relevante são descritos abaixo.
3- Estruturação do serviço de Telessaúde na UFSJ.
5- Parceria com o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil).
6- Implantação do teste de geração de trombina (TGT) no CCO/UFSJ.
7- Criação do Programa de controle da Leishmaniose visceral canina na cidade de Iguatama-MG.
9- Ações para controle de Leishmanioses no País.
1- Estruturação de Laboratório para atender o município e região durante a pandemia de COVID-19 e para diagnóstico de outras doenças: Com relação ao impacto do PPGCS/UFSJ no combate à pandemia do COVID-19 na região podemos destacar ações diretas e indiretas do programa, por meio de seus docentes.Implementação do Laboratório Nível de Biossegurança 2 (LANB2) - O referido laboratório foi responsável pelo diagnóstico molecular por Real Time PCR no município de Divinópolis ao longo da pandemia da COVID-19. O laboratório foi estruturado em 2020 sob a coordenação do professor Dr. Rafael Gonçalves Teixeira-Neto e vice-coordenação do professor Dr. Leandro Augusto de Oliveira Barbosa, ambos vinculados ao PPGCS. Em março de 2024, o professor Leandro Augusto de Oliveira Barbosa foi agraciado com o Prêmio Orfeu, na categoria Ciência, promovido pela Academia Divinopolitana de Letras, pela sua atuação durante a pandemia com a criação desse laboratório. No ano de 2020 o LANB2 foi vinculado à Rede Estadual de Laboratórios de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (RELSP/MG), coordenada pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES). O laboratório foi certificado pela Fundação Ezequiel Dias (Lacen-MG), e habilitado para a realização do diagnóstico da COVID-19 no estado ao longo do período da Pandemia. Com insumos recebidos da SES, o laboratório ficou responsável pela realização do diagnóstico molecular da COVID-19 no município de Divinópolis. As atividades começaram em julho de 2020 e concluídas com o fim da pandemia em julho de 2022. Participam das atividades de diagnósticos, professores, técnicos da UFSJ e alunos de graduação e pós-graduação de todos os cursos do Campus CCO. Entre Julho de 2020 e Dezembro de 2022 o LANB2 realizou exatos 9.885 testes moleculares de COVID-19 para o Sistema Único de Saúde (SUS), destes 2.174 (22%) apresentaram resultados positivos e o tempo médio entre o recebimento da amostra clínica e a emissão dos resultados para o SUS foi de 72 horas. Esta eficiência na liberação dos resultados auxiliou na rápida liberação de leitos na Rede Hospitalar minimizando os impactos da pandemia. Diversos projetos de pesquisa foram e continuam sendo realizados em parceria com o Diagnóstico Molecular implementado no CCO, como: Mapeamentos dos casos positivos de COVID-19; Caracterização socio-econômica dos infectados durante a pandemia; Estudo do perfil de infecção por COVID-19 em entregadores; Estudos de variabilidade genética das cepas de SARS-Cov-2 circulantes em Divinópolis durante a pandemia, entre outros. Atualmente um novo projeto estrutural do LANB2 foi aprovado pela Vigilância Central do estado de Minas Gerrais, e após reestruturação voltará a atender as demandas de diagnóstico molecular para o SUS e para o Estado de Minas Gerais. Os objetivos do laboratório foram ampliados, sendo: 1. Expansão do número de patologias atendidas (COVID-19, Influenzas, Dengue, Zika e Chikungunya); 2. Expansão da área de atuação - Serão atendidos todos os 53 municípios da Macro Região Oeste de Saúde do Estado de Minas Gerais, com uma população aproximada de 1.600.000 habitantes; 3. Possibilidade de implementação de novos protocolos de diagnóstico molecular de acordo com as demandas do SUS; 4. Realização de aproximadamente 10.000 exames moleculares de PCR por ano; 5. Implementação de novos projetos de pesquisa associados aos dados do diagnóstico molecular do LANB2 na macrorregião oeste de Minas Gerais. Este breve histórico e a perspectiva futura demonstram a importância do LANB2 da UFSJ/CCO na vigilância sanitária do SUS e nas políticas públicas de saúde de nossa região. As atividades no laboratório além de serem um legado futuro para a região do Centro-Oeste Mineiro, ainda é fonte de treinamento e pesquisa, sendo dessa maneira uma importante ponte de interação social entre o PPGCS e a sociedade. Seguem abaixo algumas reportagens sobre o diagnóstico de Covid-19 no CCO. https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2020/06/19/coronavirus-ufsj-em-divinopolis-e-credenciada-para-fazer-exames-e-testes-da-covid-19.ghtml https://saude.mg.gov.br/celebracao-de-novos-convenios-convenios-2017/story/13147-laboratorio-da-ufsj-recebe-amostras-para-teste-da-covid-19 https://www.divinopolis.mg.gov.br/portal/noticias/0/3/7677/parceria-entre-prefeitura-e-ufsj-promove--realizacao-de-exames-de-covid-19--na-cidade https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2020/09/21/ufsj-e-secretaria-de-saude-vao-mapear-incidencia-da-covid-19-em-divinopolis.ghtml https://www.ufsj.edu.br/noticias_ler.php?codigo_noticia=8521 https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2020/12/23/resultado-da-1a-etapa-de-estudo-da-ufsj-sobre-evolucao-da-covid-19-em-divinopolis-e-divulgado.ghtml
2. Estruturação do “Programa de Avaliação da Predisposição Hereditária ao câncer do Centro Oeste de Minas Gerais”: Programa coordenado pela Profa. Dra. Luciana Lara que desde 2010 atua na implementação de um serviço de oncogenética na região e que se tornou um modelo para expansão do mesmo no âmbito do SUS no Estado de Minas Gerais. O projeto se baseia na identificação de famílias em risco para câncer hereditário uma vez que os indivíduos apresentam risco cumulativo vital muito superior ao da população para o desenvolvimento de múltiplos cânceres, e as medidas de rastreamento intensivo se mostram eficazes em permitir diagnósticos mais precoces e delineamento de estratégias de prevenção. O Programa de Avaliação da Predisposição Hereditária ao câncer do Centro Oeste de Minas Gerais se estabeleceu no espaço da Unidade Oncológica do Hospital São João de Deus, no Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Federal de São João Del-Rei e no centro de prevenção da Associação de Combate ao Câncer do Centro Oeste Mineiro (ACOM). O Programa tem como objetivo acolher as famílias que apresentam suspeita de câncer hereditário para que tenham um acompanhamento clínico mais personalizado, além de realização de rastreamento genético para o paciente e familiares. A coordenadora do projeto, Luciana Lara dos Santos foi convidada para compor um grupo de pesquisadores para formação de uma rede de pesquisa que reuniu lideranças nacionais de instituições mineiras, reconhecidos internacionalmente nas áreas de Genômica populacional, Epidemiologia, Saúde do Idoso e Genômica Clínica. A rede teria como objetivo implementar práticas de “Medicina de Precisão em Minas Gerais” nas áreas de genética clínica e oncogenética e realizar estudos de varredura genômica que identifiquem variantes genéticas de susceptibilidade a doenças complexas e de resposta a fármacos. Esta proposta integrou centros de pesquisa básica e aplicada, formuladores de políticas públicas, e prestadores de serviços de saúde do Estado de Minas Gerais. A mesma foi aprovada pela FAPEMIG e conhecida hoje como Rede Mineira de Medicina de Precisão. No ano de 2024 houve um novo financiamento para a Rede Mineira e o lançamento de um programa pelo Ministério da saúde chamado Genoma SUS do qual a Profa. faz parte. Foram elencados no país 8 centros âncoras para preparação do Brasil para análises genéticas avançadas no SUS, e um dos centros foi estabelecido em Minas Gerais e é coordenado pelo Prof. Eduardo Tarazona da UFMG. Através das parcerias estabelecidas pela Rede Mineira, onde o mesmo professor é o coordenador, o Programa de Avaliação da Predisposição Hereditária ao câncer do Centro Oeste de Minas Gerais coordenado pela Profa. Luciana Lara hoje faz parte deste projeto e terá amostras de pacientes incluídas no estudo. Exomas e genomas destes pacientes estão sendo sequenciados, os dados armazenados em bancos de dados do País para melhor conhecimento da diversidade genética Brasileira. Em contrapartida, os pacientes terão os resultados dos testes genéticos (genes relacionados ao câncer) para sua melhor assistência. Todo esse avanço demonstra o sucesso das atividades relacionadas ao Programa o que o torna hoje o maior serviço público de Oncogenética de Minas Gerais. Apenas no quadriênio 2020-2024 foi captado aproximadamente R$760.000,00 em órgãos de fomento para o desenvolvimento deste projeto em específico. Como uma grande conquista da equipe deste projeto, em 10/09/2024 foi inaugurado dentro do Centro Oncológico da ACOM o Núcleo de Estudos e Pesquisa (NEP). Este produto foi uma demanda criada à direção do Centro Oncológico pela Profa. Luciana Lara coordenadora deste projeto, e que foi prontamente atendido devido ao sucesso e relevância do trabalho que vem sendo realizado ao longo dos últimos anos na Instituição. O NEP é um ambiente com computadores, mesas, cadeiras e armários onde os discentes da graduação e pós graduação envolvidos no projeto podem ter acesso a todos os dados necessários para a realização do projeto assim como atuar em cada etapa do mesmo. O espaço foi amplamente divulgado na mídia com a participação da proponente deste projeto com um destaque de 5 minutos na TV Globo. No vídeo o diretor da ACOM, o reitor da UFSJ e a Professora Luciana Lara (atual coordenadora do PPGCS) falam sobre o NEP e o Projeto.Link para acesso rápido ao vídeo no instagram do PPGCS: https://www.instagram.com/reel/C_0okydAmdv/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==.
No ano de 2024, foi criado em Minas Gerais uma comissão que atua juntamente à Secretaria do Estado de Sáude (SES) e que vêm estabelecendo uma série de medidas e parcerias promissoras para a efetiva implementação do serviço de teste genético para mulheres com critérios para síndrome de câncer de mama e ovários hereditários no Estado. À convite de um dos membros desta comissão, e também responsável pela proposta de aperfeiçoamento para a SES, a proponente deste projeto, Luciana Lara participará como palestrante apresentando o trabalho desenvolvido em Divinópolis como caso de sucesso e disponibilizará todo o serviço para visitas, troca de experiências e informações contribuindo para o progresso da implantação do serviço no Estado. Ao colaborar com a pesquisa e o desenvolvimento de terapias e tecnologias inovadoras no setor público, o serviço social de oncogenética fortalece a integração entre o setor produtivo, o sistema de saúde e as demandas sociais, impulsionando avanços que beneficiam tanto as organizações quanto à sociedade.
3- Estruturação do serviço de Telessaúde na UFSJ: Programa coordenado pela docente do PPGCS Profª Clareci Silva Cardoso. A UFSJ/CCO faz parte da Rede de Telessaúde de Minas Gerais (RTMG), cujo objetivo é prestar assistência à saúde utilizando ferramentas de tecnologias de informação e comunicação. Foi desenvolvida como resultado da parceria entre sete universidades públicas de MG: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal Juiz de Fora (UFJF), Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) – campus Divinópolis e Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Os núcleos de Telessaúde presente nas universidades são responsáveis pela implantação e gerenciamento das atividades de Telessaúde em municípios geograficamente próximos das universidades. Criada em 2005 com recursos públicos, FAPEMIG e FINEP, conecta especialistas das universidades a profissionais de saúde de regiões remotas por meio de atividades de telediagnóstico e teleconsultorias, além de oferecer sistemas de apoio à decisão. Em 10 anos de operação, desenvolveu sistemas, modelos de Teleassistência e manutenção de serviço em larga escala, expandiu significativamente a cobertura e os tipos de serviços oferecidos. Seus serviços estão conectados à Atenção Primária, Secundária, Urgência e ambulâncias do SAMU. Desenvolve diversos estudos no âmbito da Telessaúde, com financiamentos de agências nacionais e internacionais. O corpo diretivo é composto de professores, doutores e especialistas com ampla experiência em Telessaúde. Atualmente a RTMG é considerada o maior programa de Telessaúde do mundo, já está presente na atenção primária de 1400 municípios em 14 diferentes estados do Brasil, atuando como referência na prestação de serviços de eletrocardiograma (TeleECG) para o Ministério da Saúde. Até o momento já realizou mais de 10 milhões de ECGs, além de inúmeros outros exames de telediagnóstico, incluindo Holter, Mapa, Ecocardiograma e espirometria. O serviço de TeleECG atualmente funciona 24 horas por dia, durante 7 dias na semana, os exames são realizados na rotina dos serviços de saúde e enviado para laudo de especialistas nas universidades. Na UFSJ/CCO as atividades da RTMG funcionam no espaço físico do Núcleo de Telessaúde, com dois profissionais (1 Analista em Informática e 1 administradora) contratados especificamente para as atividades da RTMG na UFSJ e coordenados por uma professora do Curso de Medicina e orientadora do Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde (Dra Clareci Cardoso). A UFSJ/CCO é responsável pelo gerenciamento do programa em 183 municípios, incluindo Divinópolis, com 18 pontos de TeleECG na atenção primária. A RTMG na UFSJ/CCO é também referência para as secretarias de saúde de municípios da região, no serviço de Manutenção de cabos de ECG. A RTMG na UFSJ/CCO agrega atividades na graduação, com alunos de extensão, bolsistas de apoio técnico em pesquisa, iniciação científica e alunos de pós-graduação, além de vários professores atuantes nas atividades de teleconsultorias e desenvolvimento de estudos epidemiológicos de relevância nacional e internacional.
4- Implantação de serviços farmacêuticos no Sistema Único de Saúde (SUS)” projeto financiado pela FAPEMIG (APQ-01107-21): Coordenado pelo Prof. André Baldoni do PPGCS, foram capacitados 26 farmacêuticos do SUS de 23 municípios do estado de MG; ii) o serviço de farmácia clínica foi implementado, e regulamentado em 09 (nove) municípios de diferentes regiões do estado (Carmésia, Coroaci, Divinópolis, Pará de Minas, Virgolândia, Carmo do Cajuru, Diogo de Vasconcelos, Formiga e Itajubá); iii) foram realizados dois seminários envolvendo profissionais do SUS e a comunidade acadêmica (https://www.instagram.com/nepefac/p/DDuTbWPxW1v/?img_index=1), o último evento realizado em dezembro de 2024 reuniu 47 participantes, entre eles gestores municipais e estadual do SUS e representante do Conselho Regional de Farmácia do estado de Minas Gerais (CRF-MG); iv) após a implementação dos serviços em 09 municípios 60% dos pacientes apresentavam hemoglobina glicada controlada (antes da implementação era 42%). Parte dos resultados deste projeto foi discutido e apresentado para parceiros em Portugal e publicado em revista internacional de elevado impacto (fator de impacto 1,8) com colaboradores internacionais (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667276624001264). A doutoranda do PPGCS, Luanna Gabriela Resende da Silva desenvolveu parte deste trabalho em seu doutorado sanduíche em Portugal e o projeto recebeu financiamento externo da FAPEMIG e CAPES (PROEXT-PG), que juntos somaram aproximadamente R% 50.000,00 em custeio e capital.
5- Parceria com o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil): A profa. Roberta Carvalho de Figueiredo que é líder da linha de pesquisa em Farmacoepidemiologia do ELSA-Brasil. O ELSA-Brasil é uma coorte prospectiva que acompanha 15.105 servidores públicos, com idade entre 35 e 74 anos, de instituições públicas de ensino superior e/ou pesquisa das regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Os principais objetivos do estudo ELSA-Brasil são investigar a incidência e a progressão de DCNT, em adultos brasileiros. A linha de base foi realizada entre 2008 e 2010 e as ondas 2 e 3, realizadas entre 2012-2014 e 2016-2019. A UFSJ, desde 2013, é parceira do ELSA-Brasil, inclusive pleiteando e aprovando recursos financeiros por meio de projetos suplementares ao estudo. Uma parte desses projetos suplementares é realizada em parceria com o Laboratório de Hematologia do Campus Centro Oeste Dona Lindu da UFSJ e traz rica oportunidade para investigar novos biomarcadores que podem auxiliar na estratificação de risco cardiovascular, levando em consideração a diversidade social e econômica da população brasileira. Grande parte das recomendações em saúde para a população adulta brasileira ainda vem de estudos realizados nos Estados Unidos Da América e países Europeus. Vale ressaltar que o banco de dados do ELSA-Brasil representa uma ferramenta poderosa para a realização de estudos farmacoepidemiológicos e de farmacovigilância. A soma de esforços entre as instituições participantes do ELSA-Brasil já possibilitou a publicação de cerca de 700 artigos que contribuem para a construção de diretrizes importantes para o Sistema Único de Saúde (SUS). Destaca-se o artigo intitulado "Desempenho dos escores contemporâneos de estratificação de risco cardiovascular no Brasil: avaliação no estudo ELSA-Brasil fruto da tese de doutorado da egressa do PPGCS e orientanda da Professora Roberta, Aline Fernandes Pedroso, desenvolvido em parceria com pesquisadores norte-americanos da Universidade de Yale, que teve como objetivo examinar o desempenho dos escores internacionais de risco para doença cardiovascular (DCV). Este foi o primeiro estudo que avaliou todos esses escores em uma grande amostra de adultos brasileiros, e destaca a importância de adaptar as estratégias de estratificação de risco às populações e riscos específicos dos países de baixa e média renda. Esses resultados suportaram a decisão do Ministério da Saúde do Brasil em adotar, a partir de 2024, o escore da OMS para a estratificação de risco para DCV no âmbito do Sistema Único de Saúde.
6- Implantação do teste de geração de trombina (TGT) no CCO/UFSJ: Outro trabalho premiado (Prêmio Jayme Torres de Farmácia 2018) e que demonstra a inserção social do PPGCS foi desenvolvido pelas docentes Danyelle Romana Alves Rios e Roberta Carvalho de Figueiredo, juntamente com a discente Thaís Resende Batista em parceria com pesquisadores da UFMG. Para realização deste trabalho foi realizada a implantação do teste de geração de trombina (TGT) no CCO/UFSJ, o que tem relevância social, visto que no Brasil, o TGT ainda é incipiente ou mesmo desconhecido, e a UFSJ em parceria com pesquisadores da UFMG foram os pioneiros na implantação no Brasil. Várias dissertações e teses têm sido desenvolvidas utilizando a TGT, e uma dessas dissertações recebeu o 1º lugar do Prêmio Jayme Torres de Farmácia 2018, com o tema: “O impacto da incorporação de tecnologias ou procedimentos nas análises clínicas e toxicológicas visando à segurança do paciente”. O prêmio gerou uma entrevista pela discente na Rádio News Farma https://www.cff.org.br/noticia.php?id=5438 - A trombina, enzima chave no sistema hemostático, está envolvida na formação do trombo, na ativação da anticoagulação natural e das plaquetas, além da fibrinólise e no processo aterosclerótico, dentre outras funções. Dessa forma, o TGT é um teste para avaliação global da hemostasia, que reflete o potencial de geração de trombina, tendo grande utilidade para triagem de distúrbios hemostáticos, seja com tendência à hipo ou a hipercoagulabilidade. A professora Danyelle Rios tem trabalhado com o TGT desde a sua visita técnica à Universidade de Maastricht realizada em 2013. Vários trabalhos têm sido publicados dando visibilidade à UFSJ no que tange a execução dessa técnica tão promissora. Em março de 2023, a pesquisadora Dra. Vânia Morelli, da Universidade de Tromso, procurou a professora para realizar parceria com a temática de obesidade e o TGT, após a leitura de um de seus artigos. A professora tem sido convidada para eventos importantes na área de hemostasia e trombose, como o Curso de Hemostasia e Trombose, organizado pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e o 12º Simpósio Internacional Einstein em Trombose e Hemostasia, organizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, para palestrar sobre o TGT e suas potenciais aplicações clínicas, já que no momento, é a única pesquisadora no Brasil que tem realizado o TGT em seus projetos.
7- Criação do Programa de controle da Leishmaniose visceral canina na cidade de Iguatama-MG: O trabalho da discente Talita Pereira Vaz, sob orientação do professor Gilberto Fontes levou à criação do Programa de controle da Leishmaniose visceral canina na cidade de Iguatama-MG e deu origem a estudos sobre essa parasitose, com a colaboração do Ministério Público de MG e Secretaria Estadual de Saúde de MG, em várias cidades da região Centro Oeste de Minas Gerais, visando o conhecimento e o controle dessa enfermidade. - O PPGCS, por meio do professor Gilberto Fontes, em parcerias com pesquisadores de diversas instituições nacionais, participa também da elaboração de um dossiê sobre a eliminação da transmissão da Filariose linfática no Brasil, documento a ser encaminhado à Organização Mundial da Saúde (OMS), visando a certificação do Brasil como país que atingiu tal meta. - Duas dissertações de mestrado (Lílian Ruth e Emerson Froede), além da tese desenvolvida por Andreza Cortez, todas sob orientação do professor Paulo Carmargos, demonstraram a Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis não adotava o rastreamento dos contatos de casos novos de Tuberculose. Nos três trabalhos foi demonstrado que apenas 2% deles eram investigados (prova tuberculínica e radiografia de tórax). Após a revelação desta lacuna (medida relevante no controle da doença) em discussões e parcerias com o serviço de saúde do município, o serviço foi aprimorado e atualmente cerca de 70% dos contatos passaram a ser investigados.
8- Ações integradas com estratégias de educação em saúde, testagem, aconselhamento e profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a transmissão do HIV no município: Coordenado pelo Prof. Dr. Gustavo Machado Rocha o Programa de extensão COMVIHVER (Ações biomédicas e comportamentais para prevenção à infecção pelo HIV no município de Divinópolis, MG) está em funcionamento desde março de 2022, com o objetivo principal de realizar ações integradas com estratégias de educação em saúde, testagem, aconselhamento e profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a transmissão do HIV no município. O programa realiza, em parceria com o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde e com o Movimento Gay de Divinópolis (MGD) o atendimento e acompanhamento de pessoas em uso de PrEP (no Ambulatório de Prevenção, criado especificamente para este fim, e com 322 usuários cadastrados entre março de 2022 e dezembro de 2024), ações comunitárias de prevenção e testagem, além de Seminários Temáticos anuais com foco na prevenção ao HIV, direcionados a profissionais e estudantes da área da saúde da região. Com articulação entre a academia, os serviços de saúde e a sociedade civil organizada, o programa COMVIHVER tem contribuído significativamente para o enfrentamento da epidemia do HIV/aids no município de Divinópolis, MG, tanto em ações assistenciais e terapêuticas, quanto em intervenções de educação em saúde, testagem e aconselhamento. O Ambulatório de Prevenção tem sido não somente uma porta de entrada para pessoas interessadas no uso da PrEP, como também uma ferramenta útil para a ampliação da testagem regular para demais ISTs e para a realização de aconselhamento sobre comportamento sexual de risco e demais meios de prevenção, dentro da perspectiva da Prevenção Combinada. Da mesma forma, as ações comunitárias itinerantes, em conjunto com a equipe do CTA, têm ampliado o acesso à testagem e outras formas de prevenção, além de ter um papel catalisador na divulgação da PrEP e do Ambulatório de Prevenção. Além do programa de extensão, está em desenvolvimento um Projeto de Pesquisa intitulado “Comportamento, adesão e incidência de Infecções Sexualmente Transmissíveis entre usuários de Profilaxia Pré-exposição ao HIV em um Centro de Testagem e Aconselhamento da Macrorregião Oeste de Minas Gerais”, que fará análise dos dados obtidos durante o acompanhamento dos usuários de PrEP vinculados ao Ambulatório de Prevenção. Este projeto de pesquisa possui aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisas Envolvendo Seres Humanos do Campus Centro Oeste Dona Lindu (CEPCO/UFSJ; CAAE: 61420122.8.0000.5545) e sua coleta de campo se iniciou em outubro de 2022.
9- Ações para controle de Leishmanioses no País: O professor Vinícius Silva Belo é membro do Comitê Técnico Assessor de Leishmanioses do Ministério da Saúde e participa continuamente de outros comitês de assessoramento ao mesmo órgão. Dessa forma, o docente esteve envolvido em discussões relevantes para a tomada de decisões em saúde no Brasil. Além disso, o professor participou das ações para o lançamento dos painéis de monitoramento das Leishmanioses no Brasil, uma ferramenta acessível a profissionais, pesquisadores e cidadãos, que apresenta informações sobre diversos indicadores, como o número de casos, óbitos e taxa de letalidade por município brasileiro (https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/setembro/saude-lanca-paineis-para-monitorar-leishmanioses-no-brasil#:~:text=O%20Minist%C3%A9rio%20da%20Sa%C3%BAde%20lan%C3%A7ou,letalidade%20por%20estado%2C%20por%20exemplo).
O professor Vinícius também foi coordenador de um estudo realizado em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil e financiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Carta Acordo SCON2021-00153). Em colaboração com pesquisadores de diversas instituições nacionais e internacionais, e com a participação de dois doutorandos do PPGCS, o estudo analisou aspectos espaciais, temporais e fatores associados às notificações de leishmaniose visceral e leishmaniose tegumentar no Brasil entre 2001 e 2020. Com a execução do estudo, foram estabelecidas diversas recomendações, que foram repassadas e discutidas junto ao Ministério da Saúde. Além disso, foram aprimoradas as ferramentas utilizadas para identificar áreas prioritárias para as ações de vigilância, prevenção e controle das leishmanioses no Brasil, e gerado um material para a replicação das análises pelos profissionais de saúde. Os resultados da pesquisa foram apresentados em mesas-redondas nos Congressos Brasileiros de Medicina Tropical e de Epidemiologia. Atualmente, o professor participa de um novo estudo, também financiado pela OPAS, que está avaliando a metodologia de estratificação de risco no Brasil e desenvolvendo novos métodos para aprimoramento e avaliação. Por fim, juntamente com cerca de 40 epidemiologistas de diversas regiões do país, o professor participou da elaboração do 5º Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil para o quinquênio 2025-2029 (https://abrasco.org.br/epidemiologistas-discutem-prioridades-para-o-5o-plano-diretor-em-evento-no-rio-de-janeiro/), lançado em novembro de 2024 (https://www.youtube.com/watch?v=GQAiovBdxa8).
10- Projeto com grande repercussão internacional sobre a doença rara Hemiplegia Alternante da Infância: Um dos projetos desenvolvidos no Programa sob a coordenação do Prof. Leandro Barbosa tem se destacado pela sua inovação, produção intelectual e repercussão internacional o que tem impactado na internacionalização do Programa além de ter impacto social e econômico. O projeto aborda a Hemiplegia Alternante da Infância (AHC), uma doença neurológica rara que afeta crianças, caracterizada por episódios recorrentes de paralisia que podem alternar entre os lados do corpo, crises epilépticas, atraso no desenvolvimento motor e cognitivo, além de dificuldades em funções vitais. Com incidência estimada em 1 caso por 1 milhão de nascidos vivos, a AHC é causada, na maioria dos casos, por mutações no gene ATP1A3, que codifica uma subunidade essencial da Na,K-ATPase, uma enzima crucial para o funcionamento neuronal. A descoberta da causa genética desta doença ocorreu apenas em 2012. A ausência de terapias específicas para a AHC impõe desafios imensos às crianças e suas famílias. Os episódios incapacitantes e imprevisíveis dificultam a vida escolar, social e emocional das crianças, enquanto os pais enfrentam incertezas quanto ao prognóstico e a falta de medicamentos eficazes. O manejo atual da doença é limitado a tratamentos paliativos, o que evidencia a necessidade urgente de novas abordagens terapêuticas. O projeto busca desenvolver e avaliar o potencial terapêutico da BD-15, um esteroide cardiotônico inovador, no contexto da AHC. A BD-15 é projetada para modular a atividade da Na,K-ATPase de maneira seletiva, oferecendo uma esperança real de impacto na progressão da doença e na qualidade de vida dos pacientes. Esse desenvolvimento é de extrema importância para doenças raras, onde os esforços científicos enfrentam barreiras devido à baixa prevalência e, consequentemente, ao desinteresse comercial das grandes indústrias farmacêuticas. Além do desenvolvimento científico, o projeto também realiza ações de conscientização sobre a AHC. Promove educação científica para pais e médicos, esclarecendo o papel do gene ATP1A3 e os mecanismos da doença, além de compartilhar avanços nas pesquisas e possíveis intervenções. Essas atividades fortalecem a compreensão sobre a doença e ajudam a preparar as famílias para lidar com os desafios diários e tomar decisões informadas sobre os cuidados com seus filhos. Este projeto, por ser relacionado com uma doença rara que é pouco estudada, tem se mostrado de grande importância para visibilidade e captação de recursos pelo PPGCS. Neste momento o projeto conseguiu a captação total de R$ 3.850.000,00 nas agências de fomento FINEP, FAPESP e CNPq. A visibilidade se demonstra com os apoios de pesquisadores internacionais colaboradores do projeto que no momento envolvem professores da Harvard University, Kansas University Medical Center (KUMC), Northwestern University e University of Leeds. Nesta colaboração foi realizada um estágio pós-doutoral de um colaborador do PPGCS (Profa. Vanessa Cortes da UFSJ) para a KUMC em 2022 e para 2025 teremos outro colaborador do PPGCS indo realizar seu estágio pós-dotoral na Northwestern University através do edital de bolsas do exterior Atlântica para mulheres negras/pardas do CNPq. Além disso, temos o apoio formal de grande parte das associações de pais e pacientes da AHC pelo mundo: The Alternating Hemiplegia of Childhood Foundation, Cure AHC, Hope for Annabel e For Henry AHC. Deste suporte já temos agendado o envio de novos animais geneticamente modificados de outras mutações da AHC para que possamos testar nossos compostos em várias mutações que desencadeiam a doença. A pesquisa começa a ter um apelo no meio científico que estuda a AHC e mutações no gene ATP1A3, demonstrado pelo convite de palestras orais para congresso específico em mutações da ATP1A3 e AHC em 2021 (no congresso em Edinburgo) e em 2024 (no congresso em Barcelona). Por fim, buscamos criar uma rede de apoio e divulgar informações que aumentem a visibilidade da AHC na sociedade, promovendo uma cultura de inclusão e incentivo à pesquisa em doenças raras. Assim, este trabalho não só avança no desenvolvimento de novas terapias, como também cria um impacto positivo direto na vida das crianças e de suas famílias.
Última atualização: 07/02/2025