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O Centro Acadêmico de Medicina, denominado Rita Lobato (CA-Rita), é a entidade oficial máxima representativa dos estudantes do curso de graduação em Medicina do Campus Dom Bosco da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ/CDB).

Fundado no dia 10 de outubro de 2014, o CA-Rita é uma associação civil sem fins econômicos, de âmbito internacional, com personalidade jurídica própria e duração ilimitada, regida pelas disposições constitucionais e legais vigentes e por seu atual Estatuto (acesse aqui), com sede social na sala 4.06 do Pavilhão de Aulas, UFSJ/CDB.

Essa entidade, tão recente e mínima, se comparada à história da medicina no Brasil, é herdeira de lutas e conquistas que a antecedem. Sua existência é, portanto, responsável por manter ativas ações em prol de uma medicina mais humanizada, ao procurar novas formas de atuar e perceber a multiplicidade de sentidos e riquezas que as marginalidades podem transparecer. A partir dessa perspectiva, ao resgatar a memória daquelas e daqueles que marcaram a história da medicina, quebrando tabus e reformulando atuações frente a populações negligenciadas, trouxe inspiração ao CA para a escolha da personagem que nomeia nosso centro acadêmico.
 
 
  

Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira de mulher que pôde estudar Medicina no Brasil, sendo matriculada em 1884. A importância desse pioneirismo de sua matrícula não cabe em uma singela homenagem. Não fosse a coragem de Rita na época, talvez não estivesse aqui hoje um corpo discente feminino tão expressivo. Muitas outras mulheres provavelmente ainda teriam seus futuros cerceados.

Os estudos de Rita Lobato se iniciaram no Rio de Janeiro e foram concluídos na Faculdade de Medicina de Salvador no ano de 1887. Além de ser a primeira mulher, ela ainda se formou dois anos mais cedo que o previsto. Seus estudos seguiram nas áreas de pediatria, ginecologia e obstetrícia, em especial nos estudos sobre a cesariana, cumprindo, assim, uma promessa feita à sua mãe, que morrera após o parto do 14º filho.

Para conseguir estudar, Rita teve que superar diversos preconceitos e problemas. As faculdades não possuíam banheiros femininos, seu acesso às aulas de anatomia e mesmo aos corredores da faculdade eram restritos e, durante a graduação, sua expulsão foi cogitada. Para auxiliar a filha, o senhor Francisco Lobato Lopes, pai de Rita, levava-a todos os dias à faculdade e aguardava sua saída do lado de fora.

A escolha do nome fantasia para o Centro Acadêmico de Medicina foi pensado no sentido de fazer o mínimo de justiça a tantas mulheres médicas que, cotidianamente, dedicam parte de sua vida a essa carreira e, mesmo assim, continuam invisíveis na história. Essa falta de reconhecimento feminino torna difícil o acesso aos feitos históricos protagonizados por mulheres: ainda hoje, no site do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul, não são mencionadas as dificuldades superadas por Rita Lobato ao cursar medicina.

Um centro acadêmico que pretende ser minimamente justo deve tomar posicionamentos frente às diversas mazelas da sociedade, entre essas o machismo cotidiano que assola a vida de diversas mulheres em todos os âmbitos, inclusive no da saúde. Rita Lobato é a nossa inspiração para a permanência dessas lutas e de tantas outras.