Histórico


O Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São João del Rei tem desenvolvido projetos que visam a preservação, divulgação e pesquisa do vasto acervo documental referente à região da antiga comarca do Rio das Mortes, cuja sede administrativa era a vila de São João del Rei. Vários projetos de organização, catalogação e indexação de fontes primárias, envolvendo fundos cartoriais, arquivos paroquiais e acervo das câmaras, foram desenvolvidos no últimos anos, acabando por definir a pesquisa com fontes primárias e obras raras o centro de referência do Núcleo de Pesquisas Históricas do departamento, em torno do qual os projetos e as linhas de pesquisa se desenvolvem.
No início da década de noventa constituímos um núcleo de pesquisas interdisciplinar, envolvendo historiadores, sociólogos e arquivistas, objetivando trabalhar com as fontes documentais regionais pertencentes ao acervo do Arquivo do Museu Regional de São João del Rei. O projeto inicial constitui um esforço de organização do acervo oriundo do Cartório do Crime do Fórum de São João del Rei, com o objetivo de catalogar e indexar a documentação e iniciar a montagem de um banco de dados sobre justiça e criminalidade na comarca do Rio das Mortes no século XIX
O desdobramento do trabalho com as fontes primárias nos levou a ampliar nossas parcerias com instituições como o IPHAN e o Arquivo Público Mineiro, na formulação de projetos e iniciativas voltados para a recuperação e conservação preventiva de acervos ameaçados, que apresentavam sérios problemas de deterioração.

O Laboratório de Conservação e Pesquisa Documental foi primeiramente designado como Laboratório de Conservação de Papel, fruto de iniciativas e reflexões de pesquisadores e instituições que acenavam para a necessidade de salvaguardar o precioso acervo documentação da região do Campo das Vertentes.
Na década de 70, a profa. Lucy Gonçalves Fontes Hargreaves e Marisa M Fiuza,da Escola de Biblioteconomia da UFMG, realizaram um mapeamento preliminar da documentação existente nos arquivos históricos de São João del-Rei e Tiradentes. Fundada em 1827, depositária de um rico e raro acervo, a Biblioteca Municipal foi alvo de classificação e indexação de suas obras raras. Como resultado parcial, foi publicado um "Catálogo de Livros Raros (XVIII) da Biblioteca Baptista Caetano", editado pela Central GLOBO de Comunicação, em 1992, onde constam obras preciosas, dos séculos XVI ao XVIII.

A profª. Maria Leônia Chaves de Resende e a programadora cultural da UFSJ, Suely Campos Franco, organizaram durante o II Inverno Cultural, em 1989, os primeiros contatos institucionais, visando à elaboração de um projeto de Laboratório de Conservação de Papel. Para tanto, a UFSJ estabeleceu contatos através de visitas técnicas junto à Fundação Casa de Rui Barbosa, à Fundação Biblioteca Nacional, ao Arquivo Nacional, ao Arquivo Geral da cidade do Rio de Janeiro, ao CECOR/UFMG - instituições engajadas na problemática da Conservação e Restauração de documentos - que muito auxiliaram, visando a definir uma metodologia embrionária de atuação.
Sob a orientação da Professora Esther Bertoletti, consultora do CNPq e Diretora do Setor de Reprografia da Biblioteca Nacional, a UFSJ, interessada no aperfeiçoamento de profissionais na área, ofereceu cursos ministrados por técnicos de restauração tais como "Restauração e Conservação de Livros e Papéis" e "Introdução à Arquivística", durante o período de 20 a 24 de novembro de 1989.

Como próximo passo e condição fundamental para a execução das metas propostas avaliou-se a urgência da instalação de um laboratório de porte médio que atendesse as medidas de conservação dos documentos e obras raras. A montagem do Laboratório permitiria salvaguardar os fundos documentais dos arquivos históricos. Sem tal suporte, a tendência seria de deterioração definitiva dos acervos documentais. Foi encaminhado o projeto do Laboratório de Conservação de Papel à FAPEMIG, sob a coordenação das professoras Maria Leônia Chaves de Resende e Lucy Gonçalves Fontes Hargreaves. Para tanto, o projeto contou com a assessoria técnica da profa. Betânia Veloso(UFMG/CECOR) que auxiliou na definição do caráter e perfil do Laboratório.
Já então se pretendia que o Laboratório prestasse serviços como órgão central do sistema de arquivos da região do Campo das Vertentes, assistindo às instituições privadas ou públicas da cidade e região, objetivando uma política de preservação e conservação dos fundos e obras raras dos arquivos históricos, essenciais à cultura e à história da região.
Pretendia-se ainda estender os trabalhos de identificação dos arquivos e fundos documentais dispersos pela região do Campo das Vertentes para realizar o trabalho de registro do patrimônio documental dos arquivos bem como realizar a conservação e preservação do acervo. Com a realização dos trabalhos de Conservação, passamos a dinamizar o acesso do público à pesquisa histórica, permitindo uma leitura mais precisa do bem cultural, com seus valores estéticos e informativos evidenciados, consolidando, assim, uma consciência mais ampla do significado do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural.
No ano de 2002 o Laboratório foi transferido para uma área de 150 m2, nas novas dependências do Departamento de Ciências Sociais e, contando com apoio e assessoramento da Superintendência e da Diretoria de Conservação de Documentos do arquivo Público Mineiro, desenvolveu o projeto de adequação da área às necessidades de implantação de um laboratório de conservação e pesquisa. Com o financiamento da FAPEMIG e do Conselho Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça ao projeto Fórum Documenta, vimos conseguindo aparelhar o Laboratório com o que há de mais moderno e eficiente nas áreas de conservação e pesquisa documental. Para tanto, temos podido contar com a parceria imprescindível do Arquivo Público Mineiro.